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Luiz Carlos Amorim
MEU PEQUENO CANTOR
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Na minha vizinhança há um pássaro que canta muito, canta
incansavelmente, canta todo o tempo. Às vezes, acordo de madrugada com ele
cantando no fio do poste em frente a minha casa. Gosto do canto de passarinhos
e não acho que seja simplemente barulho, de jeito nenhum. Acho que eles são a
voz da natureza. Mas esse passarinho – é sempre o mesmo passarinho – canta às
vezes feliz, outras vezes parece lamentar, parece estar chamando alguém,
parace sentir a falta de alguém, eu diria que parece sentir saudades de
alguém, pois seu canto, de repente, fica triste. Às vezes parece reclamar de
alguma coisa, outras vezes parece estar falando com alguém. Parece, ainda,
outras vezes, estrar bravo, chateado com alguma coisa.
É possível que
um ser tão belo e tão pequeno possa ter sentimentos tão diferentes? Pois acho
que o passarinho que adotou o trecho da rua onde moro, nos últimos tempos, é
capaz de sentimentos e emoções. Acho, algumas vezes, que ele está esperando
alguém, que está procurando alguém. Será o seu grande amor?
Não sei,
não entendo a língua dos passarinhos – e gostaria de entender -, mas percebo
as diversas nuances do seu cantar, do seu trinado. Ele canta de maneiras
diferentes e penso que cada maneira diferente de cantar que dizer uma coisa
diferente. O que ele pede, com tanta veemência? O que ele procura? O que o faz
feliz? Gostaria de saber o que sente meu pequeno vizinho.
É muito
solitário, o passarinho da minha rua. Está sempre só. Estará procurando sua
cara-metade? Queria poder ajudá-lo, passarinho. Ninguém deve ficar sozinho. E
vejo você, dia após dia, sem companhia, cantando a plenos pulmões o dia
inteiro, a noite inteira. Como disse, às vezes até canta com tristeza. E eu
fico triste também. Não me importa que ele me acorde à noite, mas isso me faz
lembrar de que ele está lá fora, só.
Torço para que ele encontre quem
ele está procurando, quem ele chama com tanta insistência. Torço muito para
que quem ele espera responda aos seus chamados. Vou sentir falta do seu canto,
mas saberei que ele estará feliz. E ficarei feliz também.
(15 de fevereiro/2017)
CooJornal nº 1.017
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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