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Luiz Carlos Amorim
A CULPA É DO POVO. É?
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Tenho visto, ultimamente, alguns
formadores de opinião em jornais aqui do Sul argumentando que os culpados da
corrupção no Brasil somos nós, o povo, e não os políticos. Que nós,
brasileiros, sempre querendo levar vantagem em tudo, é que incentivamos a
corrupção. Até na internet tenho visto este tipo de defesa em favor dos
políticos. Respeito a opinião do outro, mas não posso concordar.
E me
ofendo, pois eu não estaciono em vagas para cadeirantes, nem pratico outras
“pequenas” mazelas, pois tive uma educação decente e sei até onde vai o meu
direito e onde começa o direito do próximo. E não acho justo que me comparem
ou digam que sou mais corrupto do que os políticos que estão aí a roubar somas
inimagináveis do dinheiro público, dinheiro que é composto de impostos e taxas
que nós, povo, pagamos.
Aliás, é importante dizer que, se parte dos
brasileiros tem envereado pelo mau caminho, fazendo tudo para levar vantagem
no que for possível, é porque a educação deste país está deteriorada. E quando
falo educação, inclua-se aí o ensino, como manda o dicionário. E a educação
brasileira está falida por que? Porque ela foi abandonada pelos mesmos
políticos que, uma vez no poder, além de dilapidar o país, não valorizaram
professores, não fizeram manutenção nas escolas, não as equiparam e foram
diminuindo conteúdo programático, dimimuindo o número de horas de aulas
durante o ano letivo, etc. Matérias foram sumindo do currículo, nas últimas
décadas, o sistema de alfabetização foi mudado – não para melhor -, assim como
o ensino da matemática também. A idade de alfabetização de nossas crianças foi
alterada de 7 para oito anos, recentemente, numa confirmação, por parte do
governo, da derrocada indisfarcável do ensino, da nossa edução, em todos os
níveis. Hoje em dia, infelizmente, existem crianças no terceiro, até no quarto
ano do ensino fundamental, que não sabem ler e escrever. E não estou
atribuindo a culpa disso aos professores, pois além de nem sempre serem
devidamente qualificados, eles não são bem pagos. Além disso, há muitos deles,
dedicados e abnegados que, apesar de tudo, fazem um trabalho que deveria
servir de exemplo para os gestores da educação neste país.
As
manifestações do povo, aos milhões, em meados de março, não sensibilizaram os
“políticos” brasileiros, pois logo em seguida dinheiro para os fundos dos
partidos foi pedido e concedido pelo governo brasieiro. Coisa de bilhões. Mas
para a educação, não há recursos. E não esqueçamos, de novo, que o dinheiro
que o governo distribui é o nosso dinheiro, o dinheiro do povo.
Então
não venham me dizer que o culpado é o povo, que os políticos são o produto da
nossa desonestidade. Sabemos que em todo segmento da sociedade exsitem pessoas
boas e pessoas não tão boas, e parece que essas últimas, as mais “espertas”,
fazem “carreira” de políticos. O que falta neste país é resgatar a educação,
para que tenhamos pessoas mais esclarecidas, honestas e responsáveis. Tudo se
resume à educação. Se um povo tem boa educação, ele será mais culto, saberá a
diferença entre o certo e o errado e tomará decisões corretas.
Não
comparem o povo brasileiro à reles raça de politiqueiros que grassa por aí.
Cobrem mais atenção à educação deste país. Exijam um ensino fundamental e
médio de qualidade. Pessoas bem educadas, instruídas, esclarecidas, saberiam
votar melhor, por exemplo, e com uma boa educação, teríamos candidatos
melhores, teríamos em quem votar.
(15 de abril/2015)
CooJornal nº 932
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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