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Luiz Carlos Amorim
LIVROS PARA TODOS
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Tenho escrito repetidas vezes sobre o Projeto Floripa Letrada, de
Florianópolis, que disponibiliza livros nos terminais de ônibus para leitura
dos usuários do transporte urbano. As estantes ficam localizadas nas
plataformas dos terminais e o usuário escolhe o livro para levar, sem
registro ou prazo para devolução. O propósito é deixar que o leitor leve
quantos volumes quiser, mas que os devolva depois de lidos. Isso acontece
muito pouco, mas não é esse o nosso foco hoje. Existem outros projetos como
este pelo Brasil afora e é bom discutirmos o assunto, para sabermos como
eles funcionam em diferentes lugares.
Eu tenho criticado o fato de que os livros disponibilizados nas estantes,
nos últimos anos, são quase que exclusivamente didáticos. A crítica, na
verdade, não é dirigida às pessoas que gerenciam o projeto, mas sim ao poder
público, que não tem uma verba específica para compra de livros para prover
o projeto. É claro que o município paga algumas pessoas que trabalham na
manutenção do Floripa Letrada – recebimento de doações, organização e
colocação nas estantes. Mas seria interessante que houvesse recurso para
comprar livros, diretamente das editoras, por exemplo.
Então o projeto sobrevive de doações e é por isso que a grande maioria dos
livros que vemos nas estantes são didáticos, técnicos. Porque esses livros –
apostilas - são renovados quase todos os anos, nas escolas, e as escolas que
não os usam mais podem doá-los e as editoras que não os venderam em tempo
hábil também. Os livros literários dependem da oferta de quem doa. Eu, por
exemplo, doei cento e tantos volumes, todos de gêneros literários, lá no
início do projeto. Por isso, não tenho mais para doar.
Outro dia, encontrei a senhora Roseana, pessoa que está à frente do Floripa
Letrada e faz das tripas coração para manter o projeto, para conseguir
sempre mais volumes para colocar à disposição do leitor, sejam eles
literários ou didáticos. Sei que há uma dificuldade, também, para conseguir
veículo que vá até os doadores para recolher os livros, pois quando fiz a
doação esperei semanas até que alguém pudesse vir a minha casa apanhar mais
de uma centena de volumes. E a operária dos livros está sempre batalhando
todos os dias para conseguir uma condução que possibilite o recolhimento de
doações.
Então rendo meu tributo a essa lutadora que não deixa o projeto esmorecer,
mesmo que a sua manutenção seja um desafio. É de Roseanas, Marizas, Ednas, e
outros abnegados incentivadores do hábito de ler que precisamos, para
colocar livros no caminho de nossos leitores. É o trabalho delas que faz com
que leitores em formação descubram a magia e o encantamento dos livros.
Conclamo a todos, escritores e leitores, livreiros e editoras, que
verifiquem o que pode ser doado em seus “acervos” já lidos ou não vendidos,
para poder oferecer mais obras literárias ao projeto, para que dona Roseana
não tenha que colocar quase que exclusivamente livros didáticos, técnicos e
revistas nas estantes do Floripa Letrada. Todo livro que pudermos ofertar
será bem-vindo. E não é necessário acumular muitos volumes, não. Se forem
poucos, basta levar a um terminal onde há o projeto e colocar na parte mais
baixa da estante, pois os organizadores precisam carimbar os livros para que
eles possam ser devolvidos pelos leitores que os levarem. E os leitores,
sejam conscientes, peguem apenas o que realmente vão ler. Já fui abordado no
centro da cidade por pessoa que estava vendendo – sim, vendendo – livros com
o carimbo do Floripa Letrada. Já conversei com dona de sebo que recusou
livros que queriam lhe vender porque tinham o carimbo do projeto.
Sempre temos em casa livros que já foram lidos e que podem ser passados
adiante. Qualquer exemplar de qualquer livro não precisa ser lido por apenas
um ou dois leitores. Eles sempre podem ser lidos por mais e mais leitores.
Então vamos colocá-los em circulação. Se você quiser doar, procure um
projeto parecido em sua região e entre em contato para doar. Não deixe
livros encarcerados em gavetas ou encerrados em estantes. Compartilhe-os.
(01 de setembro/2014)
CooJornal nº 905
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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