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Luiz Carlos Amorim
COMO ACABAR COM UMA FEIRA DO LIVRO
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Semana passada tive o desprazer de ver, no Jornal do Almoço,
matéria sobre a Feira Catarinense do Livro, realizada em Florianópolis há 3
anos: há a possibilidade de que a feira não aconteça este ano, porque o espaço
onde as feiras do livro – Feira Catarinense do Livro e a tradicional Feira do
Livro de Florianópolis - têm sido realizadas, nos últimos anos, não pode mais
ser cedido pela prefeitura da capital, conforme a Superintendência do IPHAN em
Santa Catarina. A desculpa é que a feirinha de hortifrúti, que é realizada ao
lado do mercado, não pode ser retirada dali por 9 dias. Também porque o Iphan
proibiu, a partir de 2012, que fossem realizados eventos de comercialização de
produtos na frente do prédio da Alfândega, porque ela é considerada patrimônio
histórico do Estado. Ora, a feirinha já se deslocou, em outras épocas, para
vários lugares, além da praça do chafariz em frente à Alfândega -,inclusive
aquele espaço em frente ao terminal Florianópolis, que poderia ser usado de
novo, porque é um espaço morto. Mas há outros espaços. Já a feira do livro
precisa de um espaço como o Largo da Alfândega, que fica bem dentro do fluxo
de público, entre o centro da capital e os terminais de ônibus. E incentivar a
leitura é tudo o que precisamos, atualmente.
É bom não esquecer que as Feiras do Livro de Florianópolis – duas por ano -
são realizadas no Largo da Alfândega há 13 anos. E, segundo a Câmara
Catarinense do Livro, realizadora das feiras do livro, “O IPHAN não autorizou
a ocupação do espaço, por solicitação da SESP - Secretaria de Serviços Público
de Florianópolis.” Isso é muito grave.
No final do ano passado, a feira já sofreu restrições, teve que ser reduzida à
metade, mas ficou lá, no espaço de sempre, lado a lado com os feirantes de
hortifrúti. Está faltando boa vontade do poder público, e não é de agora. O
desmonte da feira do livro já vem de muito antes da proibição do Iphan. Já faz
uns bons anos que a feira é simplesmente um local para venda de livros, sem
nenhuma outra atração, sem nem espaço, mais, para os escritores da terra.
Simplesmente porque não há apoio nem do município, nem do Estado, nem da
União. Outras feiras pelo Estado, como a de Joinville e de Jaraguá do Sul,
entre outras, têm crescido espetacularmente, enquanto que as de Floripa só tem
diminuído.
Escrevi artigo sobre a falta de apoio da feira do livro da capital quando da
edição do final do ano passado e um dos parágrafos finais era o seguinte: “A
Feira do Livro de Florianópolis vem diminuindo a cada ano, por falta de apoio
tanto do Estado quanto do município. O evento vem sofrendo um processo de
esvaziamento e, a continuar assim, no próximo ano não teremos feira do livro
na capital.” Infelizmente, parece que o que disse está se cumprindo.
Espero que a Prefeitura da Capital e o Estado lutem e intercedam junto ao
Iphan para que a cultura catarinense pare de ser tão desprezada, não fique
mais no abandono em que se encontra até aqui. É preciso que a Câmara
Catarinense do Livro conte, como já disse, com o apoio do município, do
Estado, da União e da iniciativa privada para que possa realizar uma feira do
livro à altura de uma capital. Com grandes nomes da literatura e da arte. É
preciso que o poder público dê mais valor à cultura.
(25 de abril/2014)
CooJornal nº 889
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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