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Luiz Carlos Amorim
CORRUPÇÃO E INDIGNAÇÃO
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Há quase três anos, abrindo um jornal daqui da região,
deparei-me com o editorial “O Brasileiro e a Corrupção”. Interessei-me pelo
texto, porque no dia anterior tinha escrito sobre o tema no meu blog.
Falava eu, na minha crônica, do mau exemplo de nosso poder público, da nossa
politicagem, atolada em corrupção e beneficiada pela impunidade, em relação às
crianças e jovens desse nosso indefeso país. Ou indefeso povo, apesar de esse
mesmo povo ter votado nos “políticos” que estão no poder, muitos deles
comandando a corrupção que grassa descaradamente.
O editorial do jornal falava da reportagem publicada em um jornal espanhol,
dando conta da corrupção em nosso país, com o título: “Por que os brasileiros
não reagem à corrupção de seus políticos?”. A matéria do jornal estrangeiro
era superficial, mas a pergunta continua oportuna, pois nós, brasileiros, a
maioria de nós, ainda assistimos a tudo calados, aceitando tudo passivamente.
Quem está do lado de fora está vendo a corrupção e a impunidade, mas quem está
aqui parece não enxergar, não se importar.
A pergunta, então, era: quando vamos nos levantar contra esse estado de coisas
insustentável? A necessidade de se fazer alguma coisa fazia-se premente, era
preciso protestar, exigir que usem o dinheiro público, que é composto da
quantidade enorme de impostos que pagamos, em benefício do cidadão brasileiro
e não contra ele.
E então, em 2011 o povo começou a se organizar em protestos contra a corrupção
e em 2012,continuaram as manifestações contra majorações de preços de
transportes urbanos, entre outras coisas, em várias capitais do Brasil. Em
2013, as manifestações tomaram vulto por todo o país, mas aí os baderneiros
começaram a se infiltrar e a violência começou a fazer parte do movimento.
Cobras mandadas se integravam aos manifestantes para fazer depredações, para
que o protesto legítimo daqueles que estavam na rua para defender seus
direitos pacificamente perdesse a força. E foi o que aconteceu. O povo se
levantou, pela primeira vez como nunca se havia visto antes, mas foi calado
por indivíduos arregimentados para desacreditá-los.
A verdade é que o cidadão brasileiro precisa ter consciência da sua força,
reivindicar seus direitos, se preocupar menos com novelas e futebol,
instrumentos de manipulação que deram certo no Brasil, e atentar mais para os
seus próprios problemas, para o rumo da sua vida. É preciso parar de fazer
vista grossa para quem está nos enganando e roubando, precisamos aprender a
votar melhor, a não esquecer o que os políticos aprontaram em seus mandatos
anteriores, para não votar mais neles. Depende de nós, somos nós que colocamos
esses senhores corruptos no poder.
Se não houver em quem votar – infelizmente quase sempre há falta de candidatos
decentes – podemos anular o voto. Se muitos anularem seus votos, alguém terá
que perceber que alguma coisa está errada. É a maneira mais eficaz de
protestarmos, de fazermos ver que não estamos satisfeitos com o que está aí.
E, ainda, o eleitor precisa saber que assim como colocou o candidato no poder,
pode tirá-lo. Mas não interessa para os nossos “representantes” que seus
eleitores saibam disso, não é?
(10 de abril/2014)
CooJornal nº 887
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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