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25/02/2014
Ano 17 - Número 881

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
AUTORIA E COAUTORIA |
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Já escrevi várias vezes sobre plágio, mas de vez em quando
aparece algum fato que traz o assunto novamente à tona. Todos sabemos – ou
deveríamos saber – que “arrumar” ou “melhorar” o texto dos outros não existe.
Não podemos modificar em nada um texto de ninguém, a não ser de nós mesmos. Se
eu for editor e achar que o texto que o autor me entregou para publicar na nossa
revista, por exemplo, não é bom, eu peço outro. Ou, quem sabe, peço para o autor
reescrever, se tiver intimidade para isso. Não vou adaptar, acrescentar ou
cortar trechos para melhorar, pois estarei adulterando uma obra que não é minha.
E isso é plágio. Se alguém altera um texto de outra pessoa, esse alguém está se
transformando em coautor daquele texto, o que significa que a outra pessoa não é
mais a única autora. O referido texto não tem mais apenas um autor, tem dois. Se
os dois passarem a assinar o texto, ótimo. Mas não é isso que acontece. Há quem
altere o texto da gente, quer publicar o texto adulterado e quer que a gente
assuma sozinho o resultado. Isso é crime.
Isso me volta à cabeça porque fui convidado para participar de uma pequena
antologia que seria publicada em alguns outros idiomas, além do português. Havia
um assunto específico e mandei um poema meu que talvez se encaixasse no tema. A
editora achou que precisava de uns ajustes, que se suprimíssemos alguns versos
ele ficaria perfeito. Aceitei, ela me enviou a nova versão e, como
apenas tivessem saído algumas linhas, sem que quebrasse demais o sentido, eu
aprovei.
No entanto, quando a editora me enviou o poema “editado”, como ela mesma disse,
com a tradução para o inglês, eu me apavorei. Havia modificações no poema em
português que eu não havia aprovado, a tradução para o inglês estava um
desastre: trechos incompreensíveis, trechos com palavras que não traduziam o que
estava no poema, etc. E eu me reportei dizendo o que não aceitava na “adaptação”
do poema original em português e explicando o porquê. Ela me retornou dizendo
que preferia do jeito que havia ficado, que ela achava que estava “maravilhoso”
assim. Eu então pedi para sair da antologia, já que eu não podia opinar sobre
modificações no meu próprio poema. Ela insistiu para eu continuar, pediu
desculpas e eu propus começarmos tudo de novo.
Mandei a minha versão do poema, mandei uma outra tradução feita por pessoa que
fala fluentemente o inglês e também é poeta. A editora agradeceu e eu achei que
estava tudo bem.
Dias depois recebi a “edição” final, com o original e a tradução para eu
aprovar. Só que a tradução estava diferente do que eu havia mandado. Palavras
que foram usadas para manter o ritmo foram substituídas por outras que não eram
a exata tradução do original. O resultado, afinal, não foi bom, sem contar que
modificaram sem me consultar.
O engraçado é que eu não concordei e a “editora” me respondeu lamentando ter que
me “tirar” da antologia. Mas o problema não é esse, eu já havia manifestado
interesse em não participar, mesmo. O caso é que isso prova, mais uma vez, que
algumas pessoas não sabem o que é “edição”, que isso não quer dizer alterar o
trabalho de outros autores ao bel prazer, que só o próprio autor tem o poder de
modificar a sua obra. E não há como confundir este ocorrido com revisão, que é a
correção do texto sem alterá-lo. Alterar o trabalho dos outros é outra coisa,
totalmente diferente. Não podemos alterar, sob hipótese alguma, um texto que não
seja o nosso próprio, repito. Só quem pode modificar um texto é o próprio autor.
Outra coisa: tradução de poema fica melhor se feita por tradutor que também é
poeta. Sob pena de transformar o poema em prosa.
Não aceite que modifiquem o seu texto. Submeta-o a leitores, para saber o que
acham. Se alguns não gostarem, reescreva-o. Mas não deixe que ninguém “ajude”,
“arrume”, “conserte”. Isso não existe. A história que contei parece meio
absurda, mas sabemos que ela acontece. Tenho toda a série de mensagens que
provam o que houve. Não deixe que ela aconteça com você. Se você tiver que
escolher entre publicar um texto seu adulterado, prefira não publicar. De que
adianta publicar uma coisa que não espelha a sua criação, o seu estilo?
(25 de fevereiro/2014)
CooJornal nº 881
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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lc.amorim@ig.com.br
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