21/06/2013
Ano 16 - Número 845


 

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Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

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Luiz Carlos Amorim


DANÇA E RELEMBRANÇAS

 

Luiz Carlos Amorim, colunista - CooJornal

Dança é mesmo uma atividade que faz bem pra tudo. É bom pra saúde, é bom pra manter a forma, é bom pra se fazer amigos, pra confraternizar, pra se conhecer pessoas. Ontem fui a um baile na “nossa” academia de dança, na verdade a comemoração de aniversário da casa. E conheci, através de amigos conquistados através das aulas de dança de salão, um casal maravilhoso, ele com oitenta e cinco, oitenta e seis anos, não lembro ao certo, mas dançando e dançando muito.

Conversamos muito e ele me dizia que em sua casa tem um pomar e que nesse pomar tem de tudo quanto é fruta, que ele plantou, frise-se. E eu fico encantando com isso, pois adoro hortas, jardins, pomares, minha frustração maior é não ter terra em minha casa para plantar. Tenho apenas um pequeno jardim na frente de casa, onde planto o meu pé de jacatirão, um pé de hibisco alaranjado – agora comprei duas mudas de hibisco gigante, que plantei em vasos -, temperos e chás, um ou dois pés de couve que as lesmas insistem em destruir, pequenos pés de araçás que produzem muito e um pé de rosa, alguns pés daquela orquídea bonita que dá em hastes longas.

Então fico com inveja do professor, que tem uma área generosa em sua casa para plantar o que quiser. E ele me disse que, entre tanta coisa que tem plantado, tem pés de babaçu. Ora, isso me reportou de imediato a minha crônica sobre meu avô Lúcio, que escrevi recentemente. Lembrava eu daquele avô que, no período que morou em Joinville, vinha a Corupá com sua cesta de vime cheia de guloseimas, que ele colecionava com cuidado durante a semana só pra pra trazer pra nós, um bando de netos pequenos. Era uma festa ver ele chegar com sua cesta cheia de balas, tucum, goiaba e tantas outras coisas. Havia esquecido de dizer, na outra crônica, que havia babaçu, também. Ele tinha um pé em sua casa em Joinville e colhia quando estava maduro para trazer para nós. Gostávamos da parte de fora, quando estava maduro, mas gostávamos ainda mais de quebrar o coco e comer a amêndoa mais ou menos do tamanho de uma castanha do Pará, que havia dentro. Era muito bom.

De maneira que o professor me fez lembrar do babaçu, que meu avô nos trazia na sua cesta, detalhe que eu não havia lembrado na crônica sobre anterior sobre ele. Aquele avô carinhoso, infelizmente, foi-se muito cedo, quando eu ainda era menino. Mas nunca vou esquecer dele. Ele voltou a morar em Corupá antes de ir-se. Quem sabe eu também não volte, um dia desses, para ter meu quintal e meu jardim, para poder fuçar a terra e plantar e colher?


(21 de junho/2013)
CooJornal nº 845



Luiz Carlos Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do Grupo Literário A ILHA
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lc.amorim@ig.com.br
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