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03/05/2013
Ano 16 - Número 838

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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
O MEC E A FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO
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O escândalo mais recente do ENEM é a correção das redações das provas do ano
passado. O MEC, agora, é obrigado a dar vistas da redação corrigida ao
prestador da prova. Então o jornal O Globo pediu que quem tivesse tirado nota
mil na redação do Enem enviasse cópia da mesma, para expor bons desempenhos,
bons exemplos. Acontece que o jornal recebeu redações nota 1000 com muitos
erros, com erros crassos que evidenciam o fato de que aqueles textos não
mereciam a nota máxima que lhe foi conferida.
As redações apresentavam erros de grafia e graves problemas de concordância
verbal, acentuação e pontuação. “Rasoavel”, “enchergar” e “trousse”, são alguns
dos muitos problemas encontrados. Quando questionado, o Inep justificou: “uma
redação nota 1.000 deve ser sempre um excelente texto, mesmo que apresente
alguns desvios em cada competência avaliada. A tolerância deve-se à
consideração, e isto é relevante do ponto de vista pedagógico, de ser o
participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em
processo de letramento na transição para o nível superior”. Ainda o Inep: “um
texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua
organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua
portuguesa”. Se faço erro de grafia e de concordância, como posso ter excelente
domínio da língua portuguesa? Que “especialistas” em linguística e língua
portuguesa são esses? Inep deve ser abreviação de ineptos, pelo visto.
Quer dizer, o MEC dá nota máxima para redações com “desvios”, confirmando a má
qualidade do ensino no Brasil, atestando, mais uma vez, a falência da nossa
educação. Que gestores da educação de um país dão nota máxima para uma redação
com erros crassos, erros de quem tem uma escola ruim, que não consegue ensinar
os estudantes a escrever com correção a língua mãe? E ainda justifica a
irresponsabilidade de quem corrige as redações, como se fosse uma coisa normal?
Não é normal, absolutamente, sucatear a educação, não qualificando e não
pagando decentemente professores, não fazendo manutenção de escolas, não as
equipando minimamente. Não é normal fazer modificações no ensino que empobrecem
cada vez mais a educação brasileira, como aumentar o prazo para alfabetização
de nossas crianças – de sete para oito anos, como foi feito recentemente. Ou
alterar o sistema de alfabetização, que sempre funcionou tão bem, para um novo
que faz com que as crianças cheguem ao terceiro, ao quarto ano, sem saberem,
efetivamente, ler e escrever.
Por incompetência dos gestores da educação, nossos estudantes estão indo para
as universidades cada vez menos preparados e saem de lá cada vez mais
profissionais que não estão aptos a exercer a profissão escolhida.
E esses mesmos gestores não tem nenhum problema em confirmar isso, dizendo que
é “normal” dar nota máxima para uma redação com erros.
(03 de maio/2013)
CooJornal nº 838
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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lc.amorim@ig.com.br
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