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01/03/2013
Ano 16 - Número 829

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
O ATENDIMENTO DO INSS
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Ontem precisei ir ao INSS, pois sou procurador da minha filha que está fazendo
mestrado em Lisboa e precisa fazer o recolhimento individual para contagem de
tempo para aposentadoria e para estender seu seguro saúde no exterior.
Pois primeiro enfrentamos uma fila para a triagem: conforme o que se precisa
fazer, pega-se senhas com letras diferentes e espera-se em outra sala – grande
sala – para ser chamado. A princípio, a gente espera meia hora, uma hora e aí
já percebemos que as chamadas são muito aleatórias. Números da letra de nossa
senha bem superiores aos nossos eram chamados e nós continuávamos a esperar.
Muita gente já estava impaciente. Não há nenhuma explicação, na sala, para que
se entenda a ordem de chamada para que nos encaminhemos às mesas dos
atendentes.
Quando já esperávamos mais de uma hora, uma senhora, que falava com um dos
vigilantes que prestam serviço no local, depois de algum tempo de conversa
começou a se alterar, a falar alto. Atentamos para o que estava acontecendo e
vimos que a senhora estava grávida e que pessoas que chegaram depois dela já
tinham sido atendidas e ela continuava esperando. A vigilante que falava com
ela não teve paciência e tato para conversar com a segurada e a senhora saiu da
sala, pois algumas pessoas sugeriram que ela fosse na recepção falar com a
pessoa que lhe dera a senha, pois a senha que ela tinha não era a apropriada.
Devia ser uma senha prioritária. Depois de todo o bafafá, soubemos que a nossa
letra tinha a mesma sequência, mas algumas eram prioritárias e outras não. Por
isso alguns números acima dos nossos eram chamados antes. O problema maior é
que só havia uma pessoa para atender a nossa letra. Daí a morosidade.
Aliás, havia quinze baias para atendimento de segurados naquela imensa sala e
oito estavam vazias. Por que não há mais atendentes, um número suficiente de
funcionários para atender? Já está na hora do poder público tratar os cidadãos
segurados como eles merecem, colocando pessoas para trabalhar e atender
condignamente os segurados. O governo continua colocando a saúde em último
plano, abandonando os segurados do INSS a sua sorte, como se o que buscamos lá
fosse um favor, quando na verdade nos pagamos por tudo aquilo que temos
direito.
Mas o atendimento que deixou a desejar no caso da senhora grávida ficou pior
ainda. A vigilante, ao invés de chamar seu chefe imediato para tentar contornar
a situação, dar um atendimento digno sem que a segurada precisasse perder a
linha, chamou a polícia. Isso mesmo, ao invés de resolver o problema, agravou
ainda mais, chamando a polícia.
Quando a polícia chegou, ficamos todos meio assustados. Mas quando os dois
policiais foram falar com a segurada, alguns de nós, também segurados que
havíamos presenciado o acontecido, nos aproximamos e emprestamos nossa
solidariedade àquela senhora, nos colocando à disposição para testemunhar, se
fosse necessário, e esclarecendo que não havia nenhuma necessidade de chamar a
polícia, que a situação poderia e deveria ter sido resolvida ali mesmo, com
tato e bom senso. Com responsabilidade e humanidade.
A única providência sensata, que na verdade foi iniciativa da segurada, foi
conseguir uma senha prioritária, que é o mínimo que deveria ter sido feito
desde o início.
Esperemos que a situação tenha servido para que a segurança que presta serviço
ali naquela agência do INSS, no centro de Florianópolis, saiba lidar com
situações desse tipo com mais tato e sabedoria, e que o INSS coloque pessoas em
número suficiente para trabalhar, que nós pagamos para ter esse atendimento.
Sabemos que não é só ali, naquela agência que os problemas ocorrem, e cobramos
do INSS uma providência.
Uma verdade que precisa ser dita: depois de quase duas horas, quando nossa
senha foi chamada, a nossa atendente nos recebeu com a maior simpatia, nos
atendeu magistralmente, com toda a atenção e presteza. E tenho certeza de que é
a maneira dela de atender, não foi um atendimento especial para nós. Pena que
não peguei o nome dela, pois gostamos demais do atendimento dela.
(01 de março/2013)
CooJornal nº 829
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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