15/02/2013
Ano 16 - Número 827


 

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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

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Luiz Carlos Amorim



PORTUGAL E O FADO

 

Luiz Carlos Amorim, colunista - CooJornal

Vir a Portugal e não ir a uma casa de fado é conhecer o país pela metade. Pois eu não tinha ido, ainda, a uma casa de fado, mas assisti aos shows de nosso anfitrião, o cantor Pierre Aderne e seus convidados, no Teatro São Jorge. Foram dois espetáculos primorosos, com cantores e músicos brasileiros e portugueses que valeram, e muito, o privilégio de poder ouvir, ao vivo, fadistas contemporâneos dos mais importantes dessa terrinha abençoada, ao mesmo tempo que ouvimos também música brasileira, com músicos brasileiros e cantores como Luanda, por exemplo. Fico pensando como pude ficar sem conhecer, sem ouvir essa grande cantora brasileira por tanto tempo. Pierre Aderne, que comandava o show, cantou, também, claro, um fado, dele próprio, com a Cuca Roseta num dia e com a Susana Travassos, noutro. “O fado dos barcos” fez parte da trilha da novela “Aquele Beijo”, no Brasil. Os cantores de fado que soltaram a voz nas tertúlias foram, além da Susana Travassos e Cuca Roseta, Marco Rodrigues, Susana Félix e Cristiana Pereira. Na nossa despedida de Lisboa, para nossa felicidade, Pierre nos levou ao Clube de Fado e tivemos uma audição exclusiva com cantores da casa, como Cristiana Pereira. Foi lindo. Cristiana já tinha cantado nas tertúlias do Teatro São Jorge e na casa de Pierre e foi muito bom ouvi-la cantar e conversar com ela novamente. Vou tentar, mas é difícil explicar o que é ouvir um cantor ou uma cantora interpretar um fado ao vivo. A gente tem que estar lá, ouvindo e sentindo aquela música que é toda emoção e sentimento. A voz poderosa que canta invade a alma da gente, o coração da gente, e a gente flutua levado pela energia da música, pela emoção que ela desperta em cada um de nós. O Fado é uma instituição que exprime e transmite, como nenhuma outra música, o sentir e o viver do povo português. E ele entra na nossa essência e nos percorre todos os meandros, parecendo que vai explodir pela nossa pele. Um fadista domina a voz como ninguém. Um fadista tem uma voz como ninguém. Ouvir fado não é, simplesmente, ouvir música. É sentir a música. É interiorizar a música.
 

(15 de fevereiro/2013)
CooJornal nº 827



Luiz Carlos Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do Grupo Literário A ILHA
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