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Luiz Carlos Amorim
EDUCAÇÃO E SEGURANÇA
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Explorando os bairros e as ruas de Lisboa, descubro sempre mais
singularidades, mais diferenças que me chamam a atenção e me encantam. São
costumes diferentes, palavras novas, palavras conhecidas com sentidos
diferentes, mas também encontro similitudes – palavra bonita, essa, como diria
o Pierre Aderne, nosso anfitrião, o cantor-compositor-poeta,
brasileiro/português, que na verdade é francês de nascimento - ou semelhanças,
ou singularidades, como queiram. Vejo numa rua um cartaz onde está escrito, em
bom português: “ – professores + alunos = pior ensino. Se a educação é cara,
experimente a ignorância.” Não é uma situação bem nossa conhecida, bem
conhecida dos brasileiros? Pois então. Acho que aqui em Lisboa o problema é
menor, a crise econômica está diminuindo o número de professores nas salas de
aula. Isso, com certeza, como já vimos no Brasil, vai comprometer a qualidade
do ensino. E é só o começo. No Brasil, a educação está comprometida não só por
isso: além das salas com número excessivo de alunos, o salário é baixo, as
escolas estão mal equipadas e a sua manutenção é precária. As modificações no
ensino fundamental e médio, feitas pelos últimos dois governos, sucatearam
ainda mais a educação, ao invés de melhorá-la. O prazo para alfabetização, no
primeiro grau, foi dilatado pelo poder público, para tapear a má estrutura, o
sucateamento da educação. Assim como a redução das treze ou mais matérias em
apenas quatro “áreas” – o que na verdade significa redução do conteúdo
programático, para parecer que o ensino público está dando conta do recado,
para parecer que está tudo bem, quando na verdade estão legalizando a derrocada
da educação das nossas crianças e jovens. O que vai refletir no ensino
superior, que formará profissionais cada vez menos preparados. Então desejo
veementemente que a educação portuguesa não chegue a este ponto. Acho, mesmo,
que os governantes portugueses não deixarão que isso aconteça. Uma impressão
daquelas com matrizes vazadas, com spray, também me antenou: “Sorria! A sua
liberdade está a ser violada”. E não é que é verdade? Há câmaras em todos os
lugares, as pessoas são vigiadas constantemente. Nas ruas, em qualquer lugar,
pelas câmaras, na internet, em programas de relacionamento, todo tipo de
programa de comunicação que há agora disponível e até nos telefones. Ao ler a
denúncia, lembrei de um caso recente acontecido em Florianópolis, que ilustra
bem esse tipo de coisa: a gente é vigiado, mas quando essa vigilância pode nos
ser benéfica, nada acontece. Minha cunhada mora no mesmo bairro que eu e
recentemente foi colocada uma câmara 360 graus na esquina da casa dela. Até
então, nada havia sido roubado da casa dela. Pois logo depois da instalação da
câmara, ela chegou em casa à noite e não havia energia elétrica, pois haviam
roubado os fios que levam a eletricidade do poste, na rua, até o interior da
residência. Até que ponto precisamos de toda essa exposição, essa vigilância,
se quando precisamos ela não reverte em nosso benefício? Há outro caso de roubo
de documentos em um restaurante, mas as câmeras no lugar onde aconteceu o roubo
e dos lugares onde os ladrões compraram também não serviram para nada, pois ou
as imagens não foram cedidas, ou a polícia não as usou para prender os
culpados.
(08 de fevereiro/2013)
CooJornal nº 826
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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