08/02/2013
Ano 16 - Número 826


 

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Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

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Luiz Carlos Amorim



EDUCAÇÃO E SEGURANÇA

 

Luiz Carlos Amorim, colunista - CooJornal

Explorando os bairros e as ruas de Lisboa, descubro sempre mais singularidades, mais diferenças que me chamam a atenção e me encantam. São costumes diferentes, palavras novas, palavras conhecidas com sentidos diferentes, mas também encontro similitudes – palavra bonita, essa, como diria o Pierre Aderne, nosso anfitrião, o cantor-compositor-poeta, brasileiro/português, que na verdade é francês de nascimento - ou semelhanças, ou singularidades, como queiram. Vejo numa rua um cartaz onde está escrito, em bom português: “ – professores + alunos = pior ensino. Se a educação é cara, experimente a ignorância.” Não é uma situação bem nossa conhecida, bem conhecida dos brasileiros? Pois então. Acho que aqui em Lisboa o problema é menor, a crise econômica está diminuindo o número de professores nas salas de aula. Isso, com certeza, como já vimos no Brasil, vai comprometer a qualidade do ensino. E é só o começo. No Brasil, a educação está comprometida não só por isso: além das salas com número excessivo de alunos, o salário é baixo, as escolas estão mal equipadas e a sua manutenção é precária. As modificações no ensino fundamental e médio, feitas pelos últimos dois governos, sucatearam ainda mais a educação, ao invés de melhorá-la. O prazo para alfabetização, no primeiro grau, foi dilatado pelo poder público, para tapear a má estrutura, o sucateamento da educação. Assim como a redução das treze ou mais matérias em apenas quatro “áreas” – o que na verdade significa redução do conteúdo programático, para parecer que o ensino público está dando conta do recado, para parecer que está tudo bem, quando na verdade estão legalizando a derrocada da educação das nossas crianças e jovens. O que vai refletir no ensino superior, que formará profissionais cada vez menos preparados. Então desejo veementemente que a educação portuguesa não chegue a este ponto. Acho, mesmo, que os governantes portugueses não deixarão que isso aconteça. Uma impressão daquelas com matrizes vazadas, com spray, também me antenou: “Sorria! A sua liberdade está a ser violada”. E não é que é verdade? Há câmaras em todos os lugares, as pessoas são vigiadas constantemente. Nas ruas, em qualquer lugar, pelas câmaras, na internet, em programas de relacionamento, todo tipo de programa de comunicação que há agora disponível e até nos telefones. Ao ler a denúncia, lembrei de um caso recente acontecido em Florianópolis, que ilustra bem esse tipo de coisa: a gente é vigiado, mas quando essa vigilância pode nos ser benéfica, nada acontece. Minha cunhada mora no mesmo bairro que eu e recentemente foi colocada uma câmara 360 graus na esquina da casa dela. Até então, nada havia sido roubado da casa dela. Pois logo depois da instalação da câmara, ela chegou em casa à noite e não havia energia elétrica, pois haviam roubado os fios que levam a eletricidade do poste, na rua, até o interior da residência. Até que ponto precisamos de toda essa exposição, essa vigilância, se quando precisamos ela não reverte em nosso benefício? Há outro caso de roubo de documentos em um restaurante, mas as câmeras no lugar onde aconteceu o roubo e dos lugares onde os ladrões compraram também não serviram para nada, pois ou as imagens não foram cedidas, ou a polícia não as usou para prender os culpados.
 

(08 de fevereiro/2013)
CooJornal nº 826



Luiz Carlos Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do Grupo Literário A ILHA
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