25/01/2013
Ano 16 - Número 824


 

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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

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Luiz Carlos Amorim



ALTO D´OURO, TRÁS OS MONTES...

 

Luiz Carlos Amorim, colunista - CooJornal

“Não desejo ao meu maior inimigo a incapacidade expressiva que se apodera de mim diante de certas paisagens do mundo” – Miguel Torga, poeta português. O Douro é uma dessas paisagens. Fico maravilhado com o que me é dado ver, quando chego a essa região altamente privilegiada pela Mãe Natureza, que é o Alto Douro. Passar rapidamente por Portugal é uma coisa. Ficar aqui por um tempo e visitar pontos diferentes, não tão comuns, várias cidades, olhar tudo com atenção, encher os olhos, é outra coisa. Não se consegue ver tudo, pois há muito, muito pra se ver. A riqueza de detalhes, a beleza da natureza, que foi muito generosa com este pedaço de chão, a sua arquitetura e a sua gente são seus maiores patrimônios. A gastronomia, os seus vinhos, os seus queijos, são um caso à parte, temos ido a lugares em Lisboa, no Porto, no alto Douro e experimentado pratos fabulosos. É claro que experimentamos a comida mais popular, como a “francesinha”, na casa mais premiada do Porto. Mas o Douro, ah o Douro. Por mais que eu tente explicar, não vou conseguir expressar todo o meu encantamento por aquele imenso quadro pintado pelo Grande Mestre. As vinhas estão por todo o lugar, nas encostas, nos morros, nos baixios, nos terraços pedregosos, com suas folhas coloridas, que oscilam do verde até o roxo e o marrom, passando pelo amarelo, alaranjado, vermelho... E existem, ainda outras árvores que se vestem de amarelo, quase como o ipê, há o plátano, que também fica com suas folhas coloridas, algumas de suas árvores ostentando tons de vermelho fabulosos. E o Rio Douro e outros rios oferecem paisagens fantásticas, que não nos enchem só os olhos, enchem nossos corações, enchem nossas almas de beleza e de uma sensação de leveza, que nos faz quase que sair de nossos corpos e pairar sobre essa tela divina. Entendi que conhecer Portugal sem conhecer o alto Douro não é conhecer esse país belíssimo. É claro que deve haver muito mais, ainda, para ver e sei que ainda vou me surpreender, mas o Douro é muito lindo. E há muita, muita oliveira, há nogueiras, há amendoeiras, os pés de avelãs... Estive hospedado alguns dias na Quinta Niepport, de onde pudemos usufruir de toda a beleza da região e visitamos também outras quintas, como a Crasto, onde fomos recebidos pela Adréa. Um casa linda, num lugar fantástico, com uma recepção calorosa. O jantar, bem português, foi uma delícia, regado a vinhos da melhor qualidade. À Chef Natália e à Andrea, nosso agradecimento pela acolhida tão simpática. Como ter vivido sem ter visto Trás os Montes?

 

(25 de janeiro/2013)
CooJornal nº 824



Luiz Carlos Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do Grupo Literário A ILHA
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lc.amorim@ig.com.br
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