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Luiz Carlos Amorim
ALTO D´OURO, TRÁS OS MONTES...
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“Não desejo ao meu maior inimigo a incapacidade expressiva que se apodera de
mim diante de certas paisagens do mundo” – Miguel Torga, poeta português. O
Douro é uma dessas paisagens. Fico maravilhado com o que me é dado ver, quando
chego a essa região altamente privilegiada pela Mãe Natureza, que é o Alto
Douro. Passar rapidamente por Portugal é uma coisa. Ficar aqui por um tempo e
visitar pontos diferentes, não tão comuns, várias cidades, olhar tudo com
atenção, encher os olhos, é outra coisa. Não se consegue ver tudo, pois há
muito, muito pra se ver. A riqueza de detalhes, a beleza da natureza, que foi
muito generosa com este pedaço de chão, a sua arquitetura e a sua gente são
seus maiores patrimônios. A gastronomia, os seus vinhos, os seus queijos, são
um caso à parte, temos ido a lugares em Lisboa, no Porto, no alto Douro e
experimentado pratos fabulosos. É claro que experimentamos a comida mais
popular, como a “francesinha”, na casa mais premiada do Porto. Mas o Douro, ah
o Douro. Por mais que eu tente explicar, não vou conseguir expressar todo o meu
encantamento por aquele imenso quadro pintado pelo Grande Mestre. As vinhas
estão por todo o lugar, nas encostas, nos morros, nos baixios, nos terraços
pedregosos, com suas folhas coloridas, que oscilam do verde até o roxo e o
marrom, passando pelo amarelo, alaranjado, vermelho... E existem, ainda outras
árvores que se vestem de amarelo, quase como o ipê, há o plátano, que também
fica com suas folhas coloridas, algumas de suas árvores ostentando tons de
vermelho fabulosos. E o Rio Douro e outros rios oferecem paisagens fantásticas,
que não nos enchem só os olhos, enchem nossos corações, enchem nossas almas de
beleza e de uma sensação de leveza, que nos faz quase que sair de nossos corpos
e pairar sobre essa tela divina. Entendi que conhecer Portugal sem conhecer o
alto Douro não é conhecer esse país belíssimo. É claro que deve haver muito
mais, ainda, para ver e sei que ainda vou me surpreender, mas o Douro é muito
lindo. E há muita, muita oliveira, há nogueiras, há amendoeiras, os pés de
avelãs... Estive hospedado alguns dias na Quinta Niepport, de onde pudemos
usufruir de toda a beleza da região e visitamos também outras quintas, como a
Crasto, onde fomos recebidos pela Adréa. Um casa linda, num lugar fantástico,
com uma recepção calorosa. O jantar, bem português, foi uma delícia, regado a
vinhos da melhor qualidade. À Chef Natália e à Andrea, nosso agradecimento pela
acolhida tão simpática. Como ter vivido sem ter visto Trás os Montes?
(25 de janeiro/2013)
CooJornal nº 824
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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