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14/09/2012
Ano 16 - Número 804

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
RECONSTRUIR A EDUCAÇÃO
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Venho falando do abandono da
educação brasileira há anos. Do ano passado para cá, intensifiquei o foco,
escrevi vários artigos sobre o tema, porque a situação tem se agravado, não só
pelo resultado constatado na aprendizagem dos estudantes, mas pelo estado cada
vez mais precário das escolas públicas e do descaso para com os professores.
Além disso, nos últimos anos foram feitas modificações no sistema de ensino –
alfabetização, ensino da matemática, etc., que ao invés de melhorar a
educação, prejudicaram ainda mais os estudantes do ensino fundamental, que
estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber ler e escrever. E isso
reflete nas etapas seguintes, é claro, no ensino médio e também no superior,
pois se a base não é boa, todo o resto estará perdido.
A União e os Estados – o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação –
não estão dando a devida atenção à educação, não estão investindo na educação.
Parecem não se dar conta de que um ensino de qualidade é condição sine qua
non para que tenhamos, mais adiante, pessoas educadas e qualificadas para
trabalhar e ter uma vida digna, para que tenhamos profissionais qualificados e
dirigentes preparados, com um mínimo de cultura para desempenharem um bom
governo à frente do país, dos estados,dos municípios, das grandes empresas.
Vendo e sentindo essa situação, evidenciada ainda mais com o resultado do Ideb,
a sociedade gaúcha e catarinense está se mobilizando para identificar os
problemas e encontrar soluções, chamando os gestores da educação – o MINC e as
Secretarias de Estado da Educação – e os detentores do poder dos estados e
municípios, para participar da discussão. Trata-se da campanha “A Educação
precisa de respostas”, lançada neste final de agosto.
As primeiras perguntas já foram lançadas no primeiro debate realizado em Porto
Alegre, quando o ministro Mercadante, da Educação, esteve presente. Ele
próprio admitiu que o professor precisa ser melhor qualificado e mais
valorizado. Admitiu, ainda, aquilo que temos repetido várias vezes: mais de um
terço das crianças do inicio do primeiro grau, com oito anos, não aprenderam a
ler e escrever, o que compromete, como já dissemos, toda a vida escolar.
Então ele concorda e sabe que o ensino fundamental e médio estão com a
qualidade bem abaixo do necessário. Mas volta a insistir numa modificação no
Ensino Médio que, ao invés de melhorar a qualidade, pode comprometer ainda
mais. Ele quer que as treze disciplinas do Ensino Médio sejam aglutinadas em
apenas quatro áreas, porque a excessiva quantidade delas estaria prejudicando
o rendimento dos estudantes. Como já disse, isso é temerário, porque o que
parece, na verdade, é que estão querendo diminuir o conteúdo curricular para
que os estudantes possam tirar melhores notas no Enem e, por conseguinte, que
a educação brasileira melhorou.
A mudança no Ensino Médio não será um tiro pelo culatra, como já foram outras
“reformas” feitas no famigerado governo Lula? Essa é uma das muitas perguntas
que também terão que ser respondidas.
A verdade é que, com o ensino deficiente, a qualificação para o trabalho e
para o ensino superior estará prejudicada, como o próprio ministro conseguiu
enxergar. E como isso é uma bola de neve, a formação de professores, como de
outros profissionais, também não terá a qualidade desejada, pois o ensino
superior é a última etapa da cadeia educacional.
Então o governo, a União, sabe o estado deplorável em que se encontra a
educação brasileira. O que precisa fazer é responder todas as perguntas sobre
os entraves que jogam a qualidade do nosso ensino cada vez mais para baixo e
começar a investir para melhorar a qualificação de nossos professores – e de
outros profissionais -, na melhoria das instalações das escolas públicas,
assim como equipá-las adequadamente e pagar dignamente os professores.
Sempre defendi que os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental
devem ser os mais bem pagos – por isso devem ser altamente qualificados – pois
a base de tudo é o começo, o inicio da jornada para aquisição de conhecimento,
de educação e para a formação de caráter. Não que os outros professores não
devam ser reconhecidos, mas se começarmos valorizando aqueles lá do inicio da
cadeia, todos os outros serão, consequentemente, bem qualificados e bem pagos.
Se o ensino tiver qualidade, os educadores formados com ele também terão
qualidade.
(14 de setembro/2012)
CooJornal nº 804
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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lc.amorim@ig.com.br
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