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03/08/2012
Ano 16 - Número 798

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
AVÓS DE CORUPÁ
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Neste final de semana estive de
visita a Jaraguá do Sul, Joinville e Corupá. Revi a família, revi amigos, revi
lugares. É bom aquecer o coração com a presença de pessoas queridas, mesmo com
o calor de mais de trinta graus deste veranico de maio que veio em junho e
segue pelo mês de julho.
Conversando com um irmão aqui, outro ali, acabamos lembrando de nossa vó
Paula, a vó grande, a matriarca da família que teve que deixar Corupá e ir
para Curitiba, nos anos sessenta, por recomendação médica. Ah, saudade daquela
mulher forte, guerreira, que criou dezesseis filhos e ainda adotou mais uma
filha, saudade daquele sorriso manso, bonachão, do abraço aconchegante.
Curitiba, cá pra nós, perdeu a graça, depois que ela se foi.
E me lembrando da Vó Grande, me lembro também da vó “pequeninha”, a vó
Estefânia, que ao contrário da outra, era baixinha baixinha, embora fosse
grande em sabedoria e fé. Convivi mais com a vó Estefânia, pois ela viveu em
Corupá até o fim de seus dias, nos anos setenta. Ela morava numa casa humilde,
de madeira, que ficava além dos fundos do cemitério municipal, que ainda hoje
é o mesmo. Era um discípula da Assembleia de Deus e todos na cidade a
conheciam, pois ia à igreja todos os dias nos quais havia culto e caminhava da
sua casa até o centro da cidade, onde ficava a igreja, cantando. Saia de sua
casa, passava pelo cemitério, caminhava uns três quilômetros, mais ou menos,
na ida, mais o mesmo tanto na volta, sempre cantando.
Adorava ir à casa dela para sentar-me na cozinha ou na sala de jantar para
ouvi-la contar “causos”. Era exímia contadora de histórias, a maioria delas
verdadeiras. Aprendi a gostar de peixe defumado com ela. Meu avô era
ferroviário e trazia peixe quando viajava ou quando ia pescar nos rios de
Corupá, e ela os defumava em cima do fogão à lenha. Depois a gente ia lá para
comer com ela peixe com pirão de água. Era uma delícia e é até hoje.
Vó pequeninha fazia, também um curau ou pamonha, de travessa, não sei o nome
correto, que era uma delícia. Parecia um pudim de milho verde. Depois que ela
se foi, nunca mais comi nada igual.
Ela me ensinou canções que me ensinaram a ter fé e que eu sei até hoje. Vó
pequeninha era uma grande mulher.
Minhas avós eram criaturas maravilhosas, das quais tenho muito orgulho e das
quais sinto muita falta. Minha terra, Corupá, é assim: acalentou em seu seio
mulheres valorosas como Vó Estefânia, como vó Paula, como minha mãe, que não
mora mais lá mas mora pertinho, em Jaraguá, e como tantas outras.
(03 de agosto/2012)
CooJornal nº 798
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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