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06/07/2012
Ano 15 - Número 794

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
JACARANDÁS E JACATIRÕES
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Descobri que minha amiga Mary
Bastian, escritora gaúcha radicada em Joinville, é apaixonada por jacarandás
floridos. E sabem como? Porque o Pierre Aderne, cantor e compositor francês
radicado em Lisboa, postou uma foto de um enorme e espetacular jacarandá
português florido no Facebook. Vocês já devem tê-lo ouvido, pois a música
“Fado dos Barcos”, cantada por ele com a participação de Cuca Roseira, cantora
portuguesa, foi um dos temas da novela “Aquele Beijo”. Pois ele postou uma
foto, eu vi, a Mary viu e comentamos. Depois ele postou outras – há uma rua em
Lisboa cheia de jacarandás – e por último uma foto da minha filhota Daniela,
bailarina que está fazendo mestrado na área em Portugal. E o intercâmbio de
admiração pelos jacarandás e pelos jacatirões – pois eu, evidentemente, postei
fotos de jacatirões pejados de flores - rendeu até um poema do Pierre, depois
que sugerimos, na rede, que eu era o jacatirão e a Mary era o jacarandá.
Foi inevitável comparar as flores do jacarandá florido com os pés de jacatirão
coberto de flores, pois eu sou apaixonado por eles, como Mary é pelos
jacarandás – nessa época estão floridos os manacás-da-serra, variedade de
jacatirão de jardim que floresce no inverno. E o poema é assim: “jacatirão e
jacarandá / vão juntos de mãos dadas pintando a rua / da cor do jamelão, / um
vai colorindo o sol e o outro tinjindo a lua... / jacarandá e jacatirao /
pintores de mãos e almas cheias / ... fazem o menino cantar como passarinho /
e a menina feito sereia / jacatirão e jacarandá / soprem o inverno / pra logo
logo a primavera chegar”.
De maneira que o Pierre, com a sensibilidade do poeta que ele é, juntou duas
árvores fantásticas, belíssimas e as paixões de dois poetas que cruzaram com
ele num “lugar” que não era próprio para “provocar” a poesia, mas agora é: o
polêmico Facebook.
E eu descobri que também gosto dos jacarandás, como gosto de outras grandes
árvores que florescem espetacularmente pela natureza deste planeta azul que
insistimos em tornar cinza: jacatirões, flamboiãs, ipês, paineiras, etc., etc.
Mary me mostrou a Rua Gonçalo Carvalho, em Porto Alegre, consagrada como “a
rua mais bonita do mundo”, justamente porque é coberta de jacarandás. Nesta
época do ano, a rua está esplendorosa, com as árvores cheias de flores e chão
coberto de cores. Como os jacatirões nativos, no verão, pelo norte
catarinense. Não é para se apaixonar?
Pena que aqui em Santa Catarina quase não temos jacarandás. Ainda bem que
temos jacatirões. No inverno, no outono e no verão. Ainda bem.
(06 de julho/2012)
CooJornal nº 794
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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