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06/04/2012
Ano 15 - Número 781

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
O CARTÃO POSTAL DE SANTA CATARINA
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No início de março, a ponte Fort
Steuben, irmã gêmea da nossa Hercílio Luz, foi demolida, em Ohio, nos Estados
Unidos. A nossa Hercílio Luz, aqui em Florianópolis, é apenas dois anos mais
velha que a que foi explodida, mas é maior, tem 819 metros de extensão, contra
483 da americana. E é a única do tipo em pé, agora.
A verdade é que a ponte Fort Steuben teve vida útil bem maior, pois foi
interditada há apenas 3 anos, enquanto que a Hercílio Luz está interditada há
30 anos. Nesse tempo todo, ela está sendo “recuperada” e muito, muito dinheiro
já foi gasto, embora a situação dela só se agrave mais a cada ano.
Para onde vai o dinheiro destinado a sua recuperação? As obras se arrastam e
entra ano, sai ano, a nossa ponte continua lá, agonizando, sem que tenham
resolvido os problemas para que ela volte a ser usada, apesar dos recursos que
lhe são destinados.
Cá pra nós, o que não há é muito interesse em que ela fique pronta,
regenerada, pois há muito tempo ela é a “galinha dos ovos de ouro” de quem não
quer vê-la recuperada. Quem mata a galinha dos ovos de ouro?
Com o trânsito caótico na capital, com o aumento assustador do número de
veículos nas ruas, as duas pontes existentes estão sobrecarregadas. Aliás, não
é de hoje. Então é urgente a necessidade de construção de uma nova ponte
ligando a ilha ao continente. O projeto já existe, já acabaram com a fase de
divagações sobre como ela seria e onde seria construída – as opções eram
várias, havia ideias fora da realidade – está decidido que será do lado da
Hercílio Luz onde não há, ainda, nenhuma nova ponte. Ela ligará a Beiramar da
Ilha à Beiramar do continente, mas é preciso juntar a grana, que não é pouca.
De maneira que, mais uma vez, as obras da Hercílio Luz se arrastariam bem mais
devagar, pois agora há que se conseguir recursos, também e principalmente,
para a nova ponte. No último dia 15 deste mês de março, a Comissão Nacional de
Incentivo à Cultura aprovou a captação, através da Lei Rouanet, de 64 milhões
de reais, dos mais de duzentos que serão necessários para recuperar a ponte. A
diferença é grande, a verba total é gigantesca. Falta saber de onde vai sair a
diferença. Será que desta vez a reforma será concluída?
A verdade é que, mesmo que recuperem a nossa velha ponte, o fluxo que ela
suportaria não resolveria nem uma pequena parte do problema de mobilidade que
a Grande Florianópolis enfrenta.
É certo que a Ponte Hercílio Luz é um dos nossos cartões postais. Mas vale a
pena continuar insistindo em recuperá-la, se todo o tempo e, principalmente,
todo o dinheiro que deveria ter sido gasto até agora com ela não resultou em
nenhuma melhora? Quanto mais se gasta, mais grave fica a situação. Ela está
abandonada, na verdade, apesar de ter sido tombada como patrimônio histórico e
artístico do país. Pra que mandar mais dinheiro do povo por água abaixo, ou
por esse buraco negro debaixo da ponte? Por que deixá-la ser usada para
consecução de recursos que não revertem em prol dela mesma? Ela não merece
isso. Ninguém merece isso. Esperemos que isso mude e as obras as quais ela
necessita sejam finalmente concluídas. Já há mais do que tempo.
(06 de abril/2012)
CooJornal nº 781
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
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