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03/02/2012
Ano 15 - Número 772

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

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Luiz Carlos Amorim
O LIVRO FRACIONADO
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O e-book – livro eletrônico ou digital – teve uma alavancada, no início desta
década, mas não ameaçou, ainda, o livro tradicional, impresso. Até porque o
preço, não raro, tem se equiparado ao preço da versão impressa das obras, como
no Brasil, por exemplo. Mas não é só aqui que isso acontece. Mesmo sem o
maquinário, a mão de obra, o papel, tinta e outras matérias primas envolvidas
na confecção do livro como o conhecíamos até bem pouco tempo atrás, os livros
eletrônicos – arquivos digitais para serem lidos em leitores digitais ou
tablets, como o I-pad ou Kindle, smartfones e computadores – têm preços
bastante altos, em alguns casos equiparados com o valor dos seus equivalentes
em versão impressa.
Então as grandes editoras procuraram inovar para incrementar as vendas dos
e-books e estão lançando novos selos editoriais que vendem apenas partes,
frações de livros, ao invés da obra completa. Por exemplo: você não precisa
comprar uma antologia inteira, pode comprar apenas o conto do seu autor
preferido. Aquele livro de ensaios maçudo de um grande pensador não precisa
ser comprado na íntegra, compre apenas o ensaio que lhe interessa. E assim por
diante.
No Brasil, uma das editoras está oferecendo essas versões reduzidas de e-book,
que estão sendo chamadas, em outros países, de e-singles, mini e-books
e-short-books, por até mais de dez reais, o que evidencia que continuam muito
caras. Ainda bem que não são todas. Outras oferecem por valores entre um real
e cinco reais.
A finalidade primeira, obviamente, é vender mais. Com livros mais baratos,
poder-se-ia alcançar a classe C, que não compra livros porque eles são muito
caros. Será que eles teriam o equipamento para ler os livros digitais? Mas há
um outro interesse embutido na novidade: é dar uma amostra, para que o leitor
compre a obra completa. Só que o preço precisa se estabilizar num patamar
menor, senão nenhuma das duas finalidades será plenamente alcançada.
Será que o escritor independente, aquele que não consegue uma editora,
finalmente conseguirá publicar sua obra, mesmo que em doses homeopáticas, sem
o agravante do aparato industrial que envolve o livro impresso?
A nossa Biblioteca Nacional está para implantar o projeto “Livro Popular”.
Será que esse seria um caminho para que a leitura possa estar mais acessível
para qualquer cidadão brasileiro? Não conheço o projeto, não sei se ele prevê
as duas formas de publicação, mas que venha o livro popular. Se ajudar a
incentivar a leitura neste nosso imenso Brasil, um grande objetivo se terá
cumprido.
(03 de fevereiro/2012)
CooJornal nº 772
Luiz Carlos
Amorim,
escritor, poeta e editor
Coordenador do
Grupo
Literário A ILHA
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
lc.amorim@ig.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
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