09/12//2011
Ano 15 - Número 765





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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 


Luiz Carlos Amorim



COLHER PASSARINHOS


 




 

Uma crônica sonora, iluminada de sol, de solidariedade, de humanidade, mexeu comigo. Fiquei emocionado ao lê-la, pois me lembrei que também já acordei, de manhã, com a passarinhada fazendo barulho no meu telhado, num alvoroço só. Nas primeiras vezes, parecia alguém andando lá por cima e eu fui ver o que era, de manhã bem cedinho, com receio de que realmente um ladrão estivesse tentando entrar em minha casa. Mas, como o autor da crônica, fiquei maravilhado com os pequenos avoantes que vinham anunciar o sol, que vinham me acordar para a vida. E desejei que eles viessem outras vezes, viessem sempre.

O “senhor que semeia alpiste e colhe passarinhos” – que bela imagem! – me lembrou, também, minha mãe. Ela mora em Jaraguá do Sul, numa casa pequena, mas com jardim, com horta, com pomar - casa, eu acho, é muito mais lar. Não é ela que cuida do jardim ou da hora, que ela já não pode fazer isso, mas ela colhe couve, brócolis, vagens, chuchus, tangerinas, limões, xinxins, acerolas, araçás. E eu levei também, para ela, um pé de cambucá, que eu ganhei algumas frutas do Flávio José Cardozo, o escritor de Santo Antonio de Lisboa, outro dia, em visita que fiz à casa dele e plantei as sementes, de maneira que fiz três mudas.

Então lá no meio das árvores ela pediu para construírem um pedestal – com cobertura, para os dias de chuva – e coloca ali, todo dia, um pouco de alpiste e outro tanto de quirera, além de frutas como banana, laranja, mamão. E desde cedo até de tarde, uma quantidade imensa de passarinhos vem comer daquilo que lhes é ofertado, fazendo uma algazarra fenomenal. Trazendo uma alegria simples e franca, despretensiosa e autêntica. São passarinhos de vários tipos, alguns conhecidos, como bem-te-vis, rolinhas, sabiás e outros, com penas de cores diferentes, cores muito vivas como amarelo, azul, vermelho. Um espetáculo de cor e vida.

Quando eu vou lá, espio pela janela, pois se eles me virem, interrompem o lanche e voam para longe. Minha mãe sim, pode sair, que parece que eles já a conhecem, parecem saber que é ela quem deixa a comida lá para eles e apreciam a sua companhia.

A belíssima crônica me fez perceber que minha mãe também semeia alpiste e colhe passarinhos. Isso me deixa orgulhoso.


(02 de dezembro/2011)
CooJornal no 764