
02/12//2011
Ano 15 - Número 764

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"Amigo da Cultura"


ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
O CONGRESSO BRASILEIRO DE ESCRITORES 2011
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Estive, de 13 a 15 de novembro, em Ribeirão Preto-SP, onde fui participar do
Congresso Brasileiro de Escritores, promovido pela UBE – União Brasileira de
Escritores de São Paulo. Cheguei na tarde do domingo, no dia 13, e já assisti
duas palestras: Cultura na era digital, com Jorge de Cunha Lima e “Composição da
Crônica”, com Ruth Guimarães. Não consegui ver “Jornalismo Literário”, com José
Neumane Pinto, porque a sala estava lotada.
Encontrei, nessa primeira tarde, a Jacqueline Aisenman, escritora catarinense de
Laguna, mas que vive em Genebra e o escritor Valdeck Almeida de Jesus, da Bahia,
que eu conhecera no lançamento da antologia do Varal do Brasil (organizada pela
Jacqueline), em Florianópolis. Encontrei, ainda o Menalton Braff, contista dos
bons, que já frequentou as páginas do Suplemento A ILHA, mas não consegui
assistir a palestra dele, sobre a composição do conto, que aconteceu no primeiro
dia de congresso, quando eu ainda não havia chegado. E conheci muitos outros
escritores de várias partes do país, como Fábio Lucas, Deonisio da Silva,
Fernando Moraes, Cláudio Willer, Pedro Bandeira, Ruth Guimarães, Laura Bacelar,
Fábio Lucas, por exemplo.
Aliás, é muito importante a discussão de assuntos referentes à produção,
publicação, distribuição da literatura e a função dela na sociedade, mas o que
vale mais é o congraçamento de escritores que nem se conheciam e que vão
continuar o debate depois que o congresso acabar.
A Carta de Princípios norteadores do Congresso Brasileiro de Escritores 2011,
estabelecida pelos escritores brasileiros presentes, determina que:
1 – Propor e defender uma política cultural nacional, justa, democrática e
aberta, da qual o Estado participe como facilitador, e não como mentor.
2 – Exigir do Estado defesa, incentivo e proteção de toda criação artística,
defesa, incentivo e proteção que se expressam no respeito ao direito autoral, à
liberdade de expressão e na ampla divulgação e publicidade.
3 - Propor como prioridade absoluta e defender intransigentemente a qualidade da
educação no Brasil, exigindo do Estado os investimentos necessários à
qualificação e ao aprimoramento dos professores e à manutenção de escolas e
equipamentos.
4 – Exigir a extinção de privilégios no fomento à produção artística, pela
reestruturação do Fundo Nacional de Cultura.
5 – Exigir, dos meios de comunicação, concessionários que são, atenção à
produção artística nacional e às demandas dos produtores artísticos nacionais,
por meio da instalação de um Conselho Nacional de Comunicação que tenha maioria
de membros indicados por organizações da sociedade civil.
6 – Propor, para a produção literária e artística nacional, atenção aos
preceitos de desenvolvimento cultural de um país: educação, cidadania,
democracia, igualdade, liberdade, diversidade, direitos humanos e preservação do
acervo e do patrimônio cultural, estético, artístico e ecológico do país.
7 – Propor, junto a representantes do poder legislativo e ou executivo, demandas
para serem consolidadas em instrumentos legais de proteção ou defesa dos
direitos dos escritores. Precisamos trabalhar para que isso se cumpra.
Na segunda, estive o dia inteiro no Congresso Brasileiro de Escritores de
Ribeirão Preto. Escolhi, para começar o dia, às dez da manhã, a conferência
“Multiculturalidades: a contribuição de várias culturas para a formação da
língua portuguesa”, que deveria contar com a presença do escritor português
António Cabrita, que não pode vir porque o país onde ele está, Moçambique, não
permitiu que ele viajasse. Ele mandou, no entanto, por e-mail, o que iria falar
no evento e que foi lido pelo mediador. Os outros dois escritores que faziam
parte da mesa, brasileiros, eram Maurício Melo Jr. e Nicodemus Sena, o mediador.
Uma palestra que eu escolhi para ver, à tarde, “O Papel das Academias de
Letras”, com Antonio Penteado Mendonça, presidente da Academia Paulista de
Letras, frustrou-me bastante, pois o palestrante discutiu, bateu boca com duas
escritoras da platéia, no pequeno espaço de tempo que estive lá (15 minutos), o
que me fez desistir e ir para outra palestra, que havia três delas no mesmo
horário. Fui ver “Conversa de uma editora com autores desorientados”, com Laura
Bacelar. Muito interessante, pois revelou detalhes que nós, escritores
precisamos levar em conta para escrever, para saber qual é o nosso público, para
procurar uma editora que publique obras para o público para o qual escrevemos,
etc.
As dezesseis horas fui a palestra de Affonso Romano de Santana, “Ler o Mundo: um
desafio”, como não poderia deixar de ser. Havia outras duas no mesmo horário,
que deveriam ser interessantes, mas não deixaria passar a oportunidade de ouvir
Affonso. E valeu a pena. Ele é agradável de se ouvir, uma cara culto e
inteligente, uma pessoa simpática e amável. E sua palestra me fez ver que
leitura não é só ler um livro, ler alguma coisa escrita ou impressa,
simplesmente. É, como diz o título da palestra que também é titulo de seu mais
recente livro, ler tudo o que está ao nosso redor, até o que está em nós: ler o
nosso corpo, ler a família, ler a sociedade, ler os amigos, ler o kosmo. E não é
que ele tem razão? Ele falou, também, em ampliação da palavra leitura e também
da palavra livro. E nisso também ele tem toda razão. Poderíamos ficar ouvindo
Affonso a tarde inteira, a noite inteira. Ele citou máximas como “Se você acha
que a cultura é cara, imagine a ignorância”, “O livro faz bem à saúde”,”eu leio
a leitura dele”, essa última dita por um doente de um hospital que tinha livros
para os pacientes e, tendo alta, pediu para ficar mais um pouco, para terminar
de ler um livro. Acontece que o médico ficou sabendo que ele não sabia ler. E
então ele explicou que o colega paciente ao seu lado lia para ele e ele “lia a
leitura dele”. Não é fantástico?
Affonso, depois de terminar a palestra, respondeu a tudo que lhe foi perguntado
com a maior simpatia, conversou com todos que ficaram para que ele autografasse
seus livros e tirou fotos com todos. Só eu esqueci que estava com a máquina
fotográfica no bolso e não tirei uma foto com ele. Falha minha, falha feia. Foi
a palestra mais concorrida do congresso.
Depois de tudo isso, o programa prometia um sarau, no teatro da Faculdade onde o
Congresso estava sendo realizado, e um concerto com a Orquestra Sinfônica de
Ribeirão Preto. O sarau estava ótimo, mas a orquestra não se apresentou. Uma
pena.
Na terça, o Congresso encerrou com duas palestras e a entrega do troféu Juca
Pato ao geógrafo e professor Aziz Ab´Saber.
(02 de dezembro/2011)
CooJornal no 764
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