
30/09//2011
Ano 14 - Número 755

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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
O RECONHECIMENTO DA LITERATURA |

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Li um artigo sobre escritores e escritores-leitores, publicado num dos últimos
finais de semana. Gostei do texto, lúcido e coerente, mas me detenho no fecho do
mesmo: “A literatura regional de cada estado só será reconhecida e admirada
nacionalmente, quando encontrar seu espaço dentro de seu próprio território e
entre a sua própria gente. Precisamos conhecer para reconhecer.”
É a mais pura verdade. Não que não tenhamos grandes escritores em cada Estado da
Federação, reconhecidos nacionalmente, mas a verdade é que o leitor não procura
conhecer a obra de autores da sua terra. E isso não se refere apenas ao leitor
comum, ao público em geral, que prefere comprar os best-sellers a ler um livro
de autor daqui. Os próprios escritores, não raro, deixam de prestigiar o colega
que publica sua obra.
Tenho visto lançamentos de escritores de literatura produzida aqui no Estado,
nas feiras do livro aqui, nos quais pouquíssimos escritores têm comparecido. Dá
pra contar no dedo quem aceita o convite e vem comprar o livro de autor local.
Os escritores, no geral, parecem não prestigiar muito os seus pares.
Na maior cidade do Estado, onde está sendo formada uma Confraria reunindo todos
os escritores da cidade, três deles fizeram recentemente um lançamento de seus
livros na cidade, mas das dezenas de escritores que fazem parte da nova
agremiação, apenas alguns poucos deles, os que sempre estão presentes a eventos
literários, prestigiando os colegas, é que compareceram.
Então o trabalho feito por algumas boas escolas, no que diz respeito a trabalhar
escritores locais em sala de aula, lendo sua obra, fazendo trabalhos sobre ela,
convidando os focalizados para interagir com os alunos, é de vital importância
para que leitores em formação conheçam autores que às vezes moram ao lado de
suas casas, mas de quem nunca leram uma linha.
É esse trabalho de base, essa aproximação autor/leitor, que precisa ser feito
pela escola, que vai fazer com que o leitor em formação conheça e reconheça a
literatura produzida perto dele, no mesmo tempo e espaço em que ele se insere.
Já perguntei, em palestras para primeiro e segundo graus, quais os escritores da
cidade onde estávamos, os estudantes conheciam. E ninguém levantou a mão para
responder. Eu insisti que havia vários escritores da cidade escrevendo crônicas
nos jornais locais, mas mesmo assim não eram conhecidos.
Em uma cidade, apenas, a pergunta encontrou algum eco, um ou outro autor foi
citado, pois a escola já os tinha trazido para conversar com os alunos, como
estava fazendo comigo, então alguns responderam, mas muitos outros escritores,
alguns com romances publicados em nível nacional, não foram lembrados.
De maneira que a escola tem um papel fundamental nessa aproximação autor/leitor,
nessa possibilidade de levar a obra do autor que reside na mesma cidade do aluno
até ele. Não estou dizendo que é fácil, porque sei que há muitas dificuldades
enfrentadas pelos professores, até o próprio conteúdo programático, que não
raro, deixa de facilitar essa tentativa de popularizar a nossa literatura. A
própria situação caótica do Ensino, hoje, no Brasil, dificulta isso.
Mas é preciso começar em casa. Casa que não tem livros é casa que tem criança
com menos possibilidade de vir a gostar de ler. Ter livros diante dos olhos, ter
livros nas mãos, mesmo antes de aprender a ler é condição sine qua non para que
nossas crianças venham a gostar de ler. Eu já comprovei isso mais de uma vez.
(30 de setembro/2011)
CooJornal no 755
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