
05/08//2011
Ano 14 - Número 747

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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
CHEGOU O INVERNO NO SUL DO BRASIL |

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E o inverno chegou pra valer, aqui no sul e também no sudeste do Brasil. E com
cara de inverno de verdade: muita chuva, muito frio, muita umidade. Se esses
primeiros dias da estação são uma amostra do que teremos nos próximos meses, a
coisa vai ser rigorosa. Já tivemos neve nas cidades mais altas do Estado, já
tivemos geada por toda Santa Catarina, até aqui em casa um dos meus pés de
cambucá teve as folhas queimadas pelo frio. Ontem, voltando do norte do Estado,
vi os bananais com as folhas secando por causa da sapecada.
Até tivemos um ou dois dias com um momento de sol tímido, nestas primeiras
semanas de inverno, mas eles continuavam cinza pela tarde e anoitecia com um
baita vento gelado, como quem diz: “não parecia tão frio para um dia de inverno,
mas não esqueçam, estou aqui”. Não dava coragem de colocar a cara para fora da
porta de casa. Até meu pé de jacatirão de inverno, o manacá-da-serra, sentiu o
frio, a chuva e o vento: carregadinho de flores, as pétalas começaram a cair
mais cedo.
O primeiro dia de inverno bem típico da estação, dia pra se fazer bolinho de
chuva, chocolate quente, uma sopa caprichada, pão de queijo com café bem quente,
até um quentão ia bem. Um caldo de tainha, então... Por falar em tainha, a safra
deste ano começou ruim, não se pescou quase nada nas primeiras semanas, mas
quase no final da temporada, tivemos a redenção: segunda a mídia, mais de uma
centena de toneladas. Não é uma beleza?
Amanhã vou ao mercado, mesmo chovendo e fazendo frio, para comprar tainhas,
camarão e ovas para fazer algumas recheadas e guardar no freezer para mais
tarde, pois a safra está acabando. Do resto faço cambira – tainha escalada e
seca no sol, coisa que minha amiga Urda, de Blumenau, gosta muito e por isso
quero mandar outra para ela. Se não fizer sol, guardo elas já salgadas na
geladeira, até que tenhamos tempo bom de novo. E, claro, reservo uma ou duas
para fritar e fazer um caldo, que é tudo de bom, pois caldo de tainha aquece o
coração e alma da gente.
Inverno é assim, aqui no litoral de Santa Catarina: frio com tainha. Se não der
tainha, é inverno pela metade. Abençoada terra, abençoado mar, abençoada
natureza, que tão maltratada por nós, a despeito de nosso desrespeito para com
ela, nos presenteia com o que ela tem de melhor. Não é à toa que ela é chamada
de Mãe Natureza.
(05 de agosto/2011)
CooJornal no 747
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