Neste ano de 2011 a prefeitura de
Florianópolis não deve ter pago quase quatro milhões para o show de
aniversário que apresentou, mas valeu a pena. Muito melhor do que o show de
natal do ano retrasado, que foi pago, não aconteceu e não se soube notícias de
devolução do dinheiro.
Não sei quanto foi pago ao maestro João Carlos Martins e à Orquestra
Filarmônica Bachiana, espero até que tenha sido alguma coisa parecida com o
valor que pagaram para o show de Natal que não aconteceu. Porque João Carlos
Martins deu um tremendo show para cerca de doze mil pessoas que compareceram à
Beiramar Norte para comemorar com o maestro o aniversário de Florianópolis.
Eu fico emocionado, sinceramente, de ver o estado em que estão as mãos do
grande pianista e maestro, mãos abençoadas, praticamente duas garras. E mesmo
assim, ele ainda toca. Além de reger a orquestra, ele fez dois solos ao piano,
tocou Astor Piazolla com apenas dois dedos, tocou o tema de “Cinema Paradiso”
e ainda a Quinta Sinfonia de Beethoven, acompanhado pela Escola de Samba
Vai-Vai. E para terminar, tocou Tom Jobim.
Ele é um monstro sagrado da música clássica e instrumental e a sua vida é um
exemplo de superação. Teve problemas com uma das mãos desde muito jovem,
problemas que se multiplicaram, mas não abandonou a carreira de músico, que
lhe trouxe muito sucesso. A vida foi dura com ele, mas a música o manteve
vivo.
Florianópolis mereceu o concerto de João. A cidade lavou a alma, combinando a
sua beleza com a beleza da música que João fez ecoar pela Ilha.
Obrigado, João. Parabéns pra você. Aplaudo de pé, como aplaudiu você o público
da Beiramar.
Parabéns para Florianópolis. Foi um grande presente.