Andei visitando bibliotecas de
algumas escolas, tanto estadual quanto municipal - a gente vai às escolas e
acaba não passando pelas suas bibliotecas e isso é imperdoável - e constatei
alguns fatos que passam desapercebidos pela gente, se não somos professores
atuantes. Como sou professor, mas não estou na ativa, vou prestar mais atenção
nas bibliotecas escolares daqui por diante.
Por exemplo: as escolas estaduais não têm bibliotecário, porque o estado não
supre suas bibliotecas com esse profissional. O que há, nas escolas do estado,
quando há, é um professor "readaptado" (e dedicado) que cuida da biblioteca e
a organiza.
Depois disso, entendi porque, quando ia à escola estadual da minha cidade
natal, pedia pelo bibliotecário para verificar quais livros meus já estavam no
acervo da biblioteca daquela escola, para complementar com os que faltavam, e
a diretora me dizia que ele não estava. Ela dizia que não estava, não que ele
não existia, mas provavelmente não havia bibliotecário naquela escola. Podia
até haver alguém que cuidasse dos livros, mas não era o profissional que eu
procurava.
Esperemos que o próximo governo que tomará posse no próximo ano resolva esse
problema, pois nossos estudantes merecem ser bem atendidos nas bibliotecas de
suas escolas. Não que não sejam em muitas delas, mas a verdade é que falta o
profissional bibliotecário e as escolas têm que se virar para cuidar das suas
bibliotecas.
Por outro lado, verifiquei que o estado e a União têm enviado livros às
escolas. Vi vários livros com o selo do nosso estado, embora dentre todos,
apenas três de autores catarinenses: os clássicos Cruz e Sousa e Luiz Delfino,
que não podem faltar e Salim Miguel. Isso sem falar do livro do Tezza,
comprado aos milhares pelo estado, distribuído aos alunos do segundo grau, por
que era obra selecionada para o vestibular, e depois recolhido e mandado aos
montes para bibliotecas municipais. A impressão que se tem é que não há mais
escritores catarinenses além desses.
E vi, também, muitos bons livros infantis enviados pelo MEC, inclusive um de
Mario Quintana, embora também não tenha visto nenhum exemplar infanto-juvenil
de autor catarinense. E olhe que os temos, de muito boa qualidade, alguns de
renome nacional.
A lição que ficou é que precisamos acompanhar mais de perto a evolução das
bibliotecas das nossas escolas estaduais e as municipais também. Porque
precisamos cobrar mais atenção do estado para com elas e dos municípios
também.