03/06//2011
Ano 14 - Número 738





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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 


Luiz Carlos Amorim
 

AS NOVAS DIRETRIZES DO ENSINO MÉDIO




 

E o Conselho Nacional de Educação aprovou, neste mês de maio de 2011, mudanças no Ensino Médio – o Ministério da Educação ainda precisa homologar, mas parece que está tudo arranjado.

Estive verificando as mudanças e não gostei nada do que vi. Fizeram mudanças no Ensino Fundamental, na década passada, e o resultado não foi bom: a alfabetização, que sempre foi eficiente, agora tem uma sistemática totalmente diferente. Ensina-se às crianças primeiro a escrever com letra de forma, o que torna um problema ensinar-lhes a escrita cursiva. Antes ensinava-se a letra de imprensa apenas para o reconhecimento dos caracteres impressos no livros e outras publicações. As famílias de sílabas, que iniciavam as crianças na leitura das palavras, não são mais usadas, elas tem que reconhecer o encontro de consoantes e vogais “por repetição”, meio por simbiose, pois são jogadas sílabas para elas formarem palavras, por exemplo, sem que saibam o que está escrito. Por isso, temos crianças, hoje, no terceiro ano do ensino fundamental que não sabem ler e escrever. E como não existe mais reprovação, também uma das novidades do novo sistema, elas seguem em frente de qualquer maneira, mesmo que não tenham conseguido acompanhar o conteúdo dado.

Agora querem mudar o Ensino Médio, que já não é o ideal e que, pelo visto, não vai ficar melhor. A mudança prevê, entre outras coisas, o aumento de três para quatro anos a duração do ensino médio noturno. Novidade que poderia ser boa, se não houvessem ambiguidades no projeto.

Para dar mais “autonomia”, cada escola poderá escolher entre quatro áreas de atuação para focar o seu currículo e poderá aumentar ou diminuir o número de horas-aula das disciplinas fundamentais, como português ou matemática. Uma escola de uma região industrial, por exemplo, pode focar seu currículo na área de tecnologia e reduzir a carga horária de disciplinas como física e química. Tudo ótimo, mas e quem vai fiscalizar se isso está sendo feito corretamente? Porque me parece mais que o Ministério da Educação (o governo do país, na verdade) está se desobrigando da responsabilidade da qualidade da educação brasileira, para colocá-la nas costas das próprias escolas. Algo como: a culpa da má qualidade do ensino médio não é nossa, é da escola que não soube usar a “flexibilização” que oferecemos.

Outra dúvida: um Estado ou uma cidade, ou uma escola de uma determinada região escolhe priorizar algumas disciplinas, em detrimento de outras. Os estudantes que saírem dessa escola terão dificuldades não só para conseguir acesso à universidade, seja por vestibular ou Enem, mas também para se manterem nela, para acompanhar o currículo, se conseguirem entrar no ensino superior.

Ah, mas com essa coisa de aumento de matérias aqui, diminuição de outro tanto acolá, aumento de carga horária de algumas e diminuição de outras, o projeto prevê uma saída sensacional: O CNE aprovou que a escola pode trabalhar até 20% de conteúdo à distância. Não é sensacional? A escola aumenta a quantidade de disciplinas ou de carga horária delas, mas não precisa dar a aula.

Um outro projeto de lei, aprovado pelo Senado, eleva de 800 para 960 horas a carga horária mínima anual para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio. Se os dois projetos vão conviver, por que não foi tudo proposto num projeto só? A previsão de aumentar de 3 para quatro anos a duração do segundo grau noturno e a proposta de aumento de carga horária é a mesma coisa? E, cá pra nós, uma coisa muito importante não é prevista em nenhum dos dois projetos que foram aprovados: não se fala na adaptação dos professores para todas essas mudanças, na adequação para a implantação de tantas mudanças, muito menos em salário.

Não sei não, parece que querem piorar ainda mais o Ensino Médio, ou será impressão minha?
 

(03 de junho/2011)
CooJornal no 738