Fui votar, no primeiro turno, em
São Francisco do Sul. Não transferi ainda meu título, porque decidi não
trabalhar mais em eleições. Até os anos 90, sempre fui convocado e então,
mesmo morando em Joinville, transferi meu título para Joinville para não me
chamarem mais. Mas transfiro de novo para Floripa ainda este ano, que agora
não há mais possibilidade de me chamarem.
Como dizia, fui para São Francisco do Sul, visitei Corupá, Joinville, Jaraguá
do Sul. E foi em São Francisco que vi um espetáculo único, uma coisa bem pouco
comum, inusitada: um pé de jacatirão de inverno (manacá-da-serra) e um pé de
ipê florescidos, os dois, fechados de flores, um do lado do outro. Uma mancha
de vermelho, quase lilás, ao lado de uma mancha amarela, um pequeno sol
resplandescendo luz. Digo que é incomum, porque não são árvores que florescem
ao mesmo tempo. O jacatirão de inverno floresce em julho e a época de
florescência do ipê amarelo é julho e agosto. É o descompasso da natureza, em
razão de nosso descaso com o meio ambiente. Mas não parece uma homenagem dessa
mesma natureza, enfeitando ainda mais a primavera? Parece, sim, Mãe Natureza
dando-nos, ainda, um voto de confiança. Será que vamos nos conscientizar
disso?
Há também o ipê roxo, cuja época de florir é junho e julho, mas está
florescendo agora, pelo menos por aqui.
Então, o fato das duas árvores, tanto o ipê amarelo quanto o Jarcatirão de
inverno florescerem em outubro, fora das suas épocas, é fantástico. Foi uma
beleza poder ver as duas árvores totalmente coloridas, lado a lado, numa época
que já não deveriam ter flor nenhuma. Até porque chovem, naquela semana, e se
houvesse algum ipê florescido, as flores cairiam mais rapidamente, formando um
tapete no chão, como se o sol se espalhasse em pétalas. Mas aquele estava lá,
firme e forte, com todas as flores.
E no meu passeio pelo norte do Estado não foi só isso que vi. Encontrei muitos
pés de ipê roxo florescidos, em todos os caminhos pelo norte catarinense. O
que achei curioso é que todas as várias árvores de ipê roxo que vi eram
jovens: poucos galhos, caule fino, pouca altura. Em razão disso a quantidade
de flores em cada uma delas não era muita, mas isso não lhes diminuía a
beleza.
Fiquei me questionando se o fato de a casca do ipê roxo, considerado remédio
desde uns bons anos atrás, não fez com que as árvores maiores, de mais idade,
viessem a desaparecer, vítimas da sua fama curandeira.
Mesmo que tenha sido isso, elas estão sobrevivendo, pois como disse, muitas
árvores jovens estão vivas pelas matas espalhadas por este imenso país.