
29/01//2011
Ano 14 - Número 720


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ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
PREVENÇÃO DAS TRAGÉDIAS |

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As tragédias que têm assolado
cidades de vários estados do Brasil nesta temporada não são novidade, já são
velhas conhecidas, só que este ano vieram mais forte. Todo início de ano é a
mesma coisa. Por que não se faz prevenção, para evitar que tantas pessoas
percam tudo, que tantas pessoas percam a vida?
Alguém havia dito, no início do ano, que a prioridade era investir na
reconstrução do que foi destruído e não na prevenção. Ainda bem que a
presidente tomou a frente do assunto – bem diferente de certo presidente que
deixou o poder recentemente – e determinou a reestruturação do Sistema
Nacional de Defesa Civil brasileiro, para que seja feita prevenção e alerta
dos desastres naturais como os que estão acontecendo.
Menos mau. Prevenção é uma coisa que precisa ser feita e não é de agora. Se
tivesse começado antes, não teríamos tantos mortos nem tantos cidadãos que
perderam tudo. E quando digo prevenção, não significa avisar antes os
moradores de uma região ou de uma cidade que vai cair uma tempestade ou que
vão abrir uma comporta de barragem – barragens que são sempre construídas na
boca de um vale, com várias cidades abaixo. Significa o estudo do solo de cada
cidade, de cada região, por pessoal qualificado (geólogos, etc.), para que o
poder público – as prefeituras – não autorizem a construção de benfeitoria em
áreas de risco. Significa tirar os moradores das áreas de risco, mas não só
tirar. É preciso planejar, realocar, organizar e implantar políticas de
assentamento dessas famílias em área apropriada, para que não saiam de uma
área de risco e se transfiram para outra, sem a orientação do poder público.
Então, a prevenção é o que se precisa, mas prevenção de verdade. As
prefeituras têm que fazer o seu trabalho, que é autorizar a construção de
benfeitorias apenas em terrenos que não estejam em área de risco ou área de
preservação. E cumprir a lei, não autorizando a construção onde há risco. Esse
trabalho, que é dever do poder público, não está sendo feito. Por isso as
tragédias que ora se abatem sobre nós não são culpa do tempo, são tragédias
esperadas, são crimes premeditados.
Esperemos que o envolvimento da presidente na organização das ações do Estado
para a criação de ações que façam com que existam equipes - e equipamentos -
treinadas e habilitadas para agirem em situações de emergência extrema, como
as que estamos tendo atualmente, realmente tenha resultados. E que faça parte
do pacote a exigência de um trabalho mais eficiente das prefeituras, no
sentido de não permitir a construção em áreas de risco onde quer que seja e
por nenhuma razão. Além de retirar os moradores que essas mesmas prefeituras
deixaram que se instalassem onde não deveriam estar, colocando-os em lugar
livre de risco. Porque se os moradores invadiram e ficaram morando nas regiões
de risco, é sinal que as prefeituras não proibiram, não fizeram cumprir a
proibição e, em muitos casos, acabaram até legalizando a invasão, pois muitas
famílias dessas regiões pagam IPTU, tem água e luz, então está provado que
houve conivência do poder público.
(29 de janeiro/2011)
CooJornal no 720
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