Começou o horário político no
rádio e na televisão. Eu não gosto muito de falar em eleição, mas li uma
cartinha num jornal, hoje, e achei muito interessante: “o horário político
está de volta e os candidatos vão fazer, de novo, meu ouvido de pinico. Mas
eles terão o troco no dia da eleição.” Não é legal? O eleitor sabe que os
políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, que aproveitar a
“boquinha”, vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão
mentir pra caramba, vão reivindicar para si inúmeras “realizações”, vão
mostrar uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a
enorme ficha suja, essa sim de verdade, vão tentar convencer de que são a
obra-prima da natureza. Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de
escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum
deles. Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, votará nulo.
Isso me fez lembrar, também, que na semana passada caminhava eu pelo centro,
quando passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição.“Pois não é
tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!”, diziam elas. Eu
não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na
conversa: As senhoras não são obrigadas a votar em ninguém. Se sabemos que os
candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para
representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem
possamos votar, a única saída e anular o voto, pois só assim ele não vai valer
pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com
o que está aí. Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém
de qualquer jeito, para não “desperdiçar” o voto. Desperdiçar é votar em quem
não merece.
Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu
caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o
sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é?