O Grupo Literário A ILHA, nos
seus trinta anos de existência, mudou a maneira que o público tinha de olhar a
poesia. E de olhar o poeta, também. Quando se falava de literatura, há duas ou
três décadas, pensava-se em romance. Poesia era literatura de outros
tempos. A ILHA mudou essa visão.Levando o Varal da Poesia a todos os lugares,
fazendo recitais nos lugares onde era levado o varal, e mais, no rádio, na
televisão, até em bares, conseguindo espaços em jornais, grandes ou não, para
falar de literatura, publicar poemas e divulgar a cultura, conseguiu-se
aproximar a poesia do grande público. Colunas literárias e culturais assinadas
por este articulista em jornais como Diário Catarinense(DC Norte), A Notícia,
Jornal de Santa Catarina, e em vários outros pelo estado e pelo país, fizeram
com que a poesia e a literatura chegasse até o leitor. A Internet, nos anos
90, diminuiu distâncias, levou o nosso trabalho direto para dentro da casa do
leitor, em qualquer parte do mundo.
Um fato importante, um trabalho relevante, que marcou o grupo, foi o de tirar
a poesia do seu suporte tradicional, o livro, para levá-la à rua,
literalmente, nos anos oitenta, o que fez com que as pessoas esbarrassem com o
poema. E dar de cara com a poesia na rua, na praça, na loja, no banco, nas
festas populares, na escola, no bar, fez com que as pessoas a conhecessem,
pois muitos, até então, só tinham ouvido falar dela. Os poetas da praça
levaram a poesia a todos esses lugares e o Recital de Poemas também.
Quem nunca tinha tido qualquer aproximação com a poesia, quem nem sequer tinha
ouvido falar dela, de repente, ouvindo um poeta recitá-la, ao passar pela
praça, ou tendo a sua atenção despertada pelos cartazes com letras grandes,
cores e ilustrações, pendurados ao vento, estampando poesia, descobria que
gostava dela. Ou não. Mas cada um que gostava era um novo leitor que nascia,
que não ia ler só os novos poetas da praça, mas também os grandes autores, os
mestres da poesia. O que significa que os livros de poesia passaram a vender
mais, então. Tanto na praça, como na livraria. Não só os livros de poetas
locais, como dos grandes nomes da poesia, como Quintana, Coralina, Pessoa,
etc.
As coisas mudaram efetivamente nas livrarias, pois quando se queria comprar um
livro de um grande poeta brasileiro ou português, nos anos oitenta ou antes
deles, era preciso encomendá-lo. Com o advento do Varal da Poesia e do Recital
de Poemas, levados a diversos lugares, até ao rádio e à televisão, a poesia
tornou-se bem mais conhecida e apreciada por um número maior de leitores,
sendo possível encontrar livros do gênero nas livrarias. A venda de livros,
pelo menos nas regiões de penetração do Grupo Literário A ILHA, já não se
resumia a romances, a alguns clássicos da literatura e aos didáticos.
E, como já dissemos, com tudo isso mudou também a maneira de se olhar para os
poetas. Não raro, eles tinham receio de dizer que eram poetas. Hoje, depois
que A ILHA levou a poesia para a rua, tanto a poesia escrita em cartazes,
folhetos, livros como a declamada nos recitais, os poetas são vistos como
escritores, como artistas da palavra que são.