Em junho de 1980 o jornal "A
ILHA", de São Francisco do Sul, publicava a primeira edição do seu Suplemento
Literário. Devido ao recebimento de textos dos leitores - contos, poemas,
crônicas - o jornal decidiu pelo suplemento, já que não havia espaço
disponível. Nascia, assim, o Grupo Literário A ILHA.
O jornal acabou, mas o Suplemento Literário A ILHA existe até hoje, TRINTA
ANOS depois, com o mesmo propósito de dar espaço aos escritores que queiram
lutar pela popularização e valorização da literatura. O Grupo desenvolveu suas
atividades em São Francisco por dois anos e em 1982 transferiu sua sede para
Joinville, onde participou da vida cultural do norte e nordeste de Santa
Catarina até fins de 1999. No ano de 2000, fincou raízes em Florianópolis,
voltando a justificar o nome que havia adotado em outra ilha, São Francisco do
Sul.
QUASE DUAS DÉCADAS DE ATIVIDADES EM JOINVILLE
Por quase vinte anos, "os poetas da praça" do Grupo Literário A ILHA
participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a
rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os
bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez
seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles
eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde
tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville, parte intrínseca
daquele evento, mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas,
além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de
arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras
cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos,
foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de
Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na
Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal
daPoesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética
e Poesia Carimbada.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte integrante é a
Festa das Flores de Joinville. Um varal especial, com cerca de meia centena de
poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por
anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de
vista de vários poetas da praça.
A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação
da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia
por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e
para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa,
os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das
Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos
jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em
programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros,
popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia praticamente inexistem no rádio,
na televisão e até nos jornais. Os poetas da praça, no entanto, continuam
batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a sua
revista, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos
de existência ultrapassando a barreira das cem edições, como o Varal da
Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do
espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA &
CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br e, ainda, a publicação de
livros, através das Edições A ILHA.