
08/05/2010
Ano 13 - Número 683
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
TANTO TEMPO SEM QUINTANA...
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Quintana dizia que, quando morresse, ele “queria
apenas paz para endireitar alguns poemas tortos. Levaria junto apenas as
madrugadas, por-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras
namoradas”. A saudade do poeta “passarinho” já dura dezesseis anos. Quintana
partiu para um nível superior onde as mortes são registradas como nascimentos,
acreditava. “Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne
doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável”.
Quintana foi encher o céu de poesia em 5 de maio de 1994. Com certeza estará
fazendo poesia em parceria com Coralina, Pessoa, Drummond, o nosso anjo poeta.
Aliás, tornar a poesia conhecida e apreciada era com ele mesmo. Foi ele que, com
talento e afinco, levou a poesia para as páginas de jornal, popularizando-a,
através “Do Caderno H”, que assinava no Caderno de Sábado, do Correio do Povo de
Porto Alegre. E por falar em Porto Alegre, a cidade nunca mais foi a mesma
depois que o poeta fez uso de suas asas – Érico Veríssimo é testemunha:
“...descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de
homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de
fora.” – e subiu para o andar de cima. A feira do livro gaúcha, a mais
tradicional do Brasil, da qual o poeta era a presença mais ilustre, a
representação viva de um grande evento, continua firme, talvez até por isso,
para cultivar e imortalizar o símbolo maior daquele festa de cultura. Parabéns,
poeta. De presente para você, as flores do manacá-da-serra, que começam a
desabrochar, com a proximidade do fim do outono e as borboletas, que habitam o
meu pequeno jardim, que botam ovos nas minhas folhas de couve e dão origem a
dezenas, centenas de larvas que devoram tudo e deixam só os talos, mas eu nem
ligo, porque sei que dali sairão os poemas esvoaçantes e coloridos, pequenas
obras primas da natureza que me lembram você.
(08 de maio/2010)
CooJornal no 683
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