
20/03/2010
Ano 13 - Número 676
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
CAMBUCÁS E JACATIRÕES
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Estive, recentemente, em Corupá, a terra das cachoeiras, minha terra natal. Fico
feliz pra caramba de poder voltar para rever o Vale das Águas e também a família
que estava quase toda reunida lá.
Mas uma coisa empanou essa alegria. Como estávamos em fevereiro, que é o mês em
que amadurecem os cambucás, fui ver, num terreno que era da minha avó, um
cambucazeiro jovem que eu conhecera no ano passado. Eu sabia que ele já
produzira pelo menos uma vez e fui certo de que conseguiria colher e comer um
cambucá, depois de mais de quarenta anos desde a última vez que senti o sabor
delicioso dessa fruta.
Pois o terreno estava desbastado, não havia sequer uma árvore ou um pé de mato
em cima dele, haviam destruído tudo o que havia lá. Fiquei decepcionado, pois
era o único pé de cambucá que eu conhecia. Os imensos cambucazeiros da minha
infância já não existem mais, é claro. Alguns amigos de outras cidades, como
Joinville, que têm a árvore em casa até me convidaram, há algum tempo, para
visitá-los, mas eu estava em Corupá, sabia onde havia uma, fui direto para lá e
não encontrei nada.
Ainda bem que descobri que uma tia minha tinha um pé de cambucá na casa dela,
também muito jovem, produzindo pela segunda vez e com poucas frutas, mas ver e
experimentar de novo o sabor de uma delas, pelo menos, foi uma viagem no tempo.
A decepção com o pé de cambucá extirpado me lembrou outra, que tive em São José,
há poucos dias, quando passeava pela rua ao lado de um grande supermercado e
admirava os grandes pés de jacatirões de inverno - manacás-da-serra - que lá
existem. Um deles estava seco, morto, sem retorno. Um outro tinha algumas poucas
folhas verdes, ainda, mas estava também quase todo seco, a caminho da morte
certa.
Um de meus caminhos terá um pouco menos de cor e beleza no próximo inverno. Das
sete ou oito árvores – enormes – que havia, teremos menos duas florescendo. Uma
pena.
Mas a vida continua. Menos mal que sei que ainda há pés de cambucá dando fruto e
ainda há pés de jacatirão que florescerão.
(20 de março/2010)
CooJornal no 676
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