
13/03/2010
Ano 13 - Número 675
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
O LIXO E A CHUVA
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Com as enchentes que assolaram tantas cidades no sul e no sudeste, destruindo
lares, desabrigando pessoas, causando prejuízos incalculáveis na agricultura,
nas estradas e nas cidades, um detalhe pequeno me vem à memória. Pequeno, mas
que pode fazer diferença.
Todos nós vimos que está chovendo muito, bem acima do esperado para qualquer
época, mas o problema da enchente poderia ser minimizado, se as redes pluviais
não fossem entupidas com lixo, que insistimos em jogar em qualquer lugar. O lixo
que não é colocado no lixo vai para os dutos que escoam a água da chuva. E em
chovendo muito, como estamos vendo, os dutos estão interrompidos com o acúmulo
de plástico, papel, papelão, vidros e outros tipos de resíduos. E a água começa
a se acumular e invade casas, lojas, ruas, etc.
Isso me lembra da coleta de lixo diferenciada que já vi em uma ou outra cidade.
O lixo normal é recolhido como em todas as cidades, mas existe uma coleta extra
que leva aquele lixo não considerado normal: móveis velhos, como sofás,
armários; eletrodomésticos que não têm mais serventia, como geladeiras,
lavadoras, fogões, etc. De maneira que os habitantes daquela cidade não precisam
esperar a noite para pegar um sofá velho, um fogão velho ou outro aparelho
grande que passou do tempo de validade para jogá-lo em algum terreno baldio ou
algum barranco perto de casa ou alguma beira de rio. Às vezes o serviço é até de
um particular, como vi em Jaraguá, que recolhe tudo para revender o que pode ser
reciclado.
O resultado de uma ação dessas é que as chuvas torrenciais não têm causado
problemas de enchente por entupimento nessas cidades, pois as galerias pluviais
parecem estar funcionando bem e drenando com eficiência mesmo grandes
quantidades de chuva. E as cidades ficam mais bonitas, sem cacarecos pelas
beiras das ruas, encostas ou rios.
Na grande Florianópolis, ainda somos ecologicamente muito mal educados - para
dizer o mínimo - pois muitos ainda jogam lixo na beira da rua. E não é só lixo
doméstico, não. A gente vê montes de lixo que obviamente foi alguma empresa que
desovou de caminhão, pela quantidade - em locais como debaixo do viaduto da
expressa, em Campinas, por exemplo.
O problema dos deslizamentos é responsabilidade do poder público, que não impede
que se construa em áreas de risco, mas a obstrução dos dutos de escoamento
pluvial é conosco, que não devemos jogar o lixo no chão.
(13 de março/2010)
CooJornal no 675
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