27/02/2010
Ano 13 - Número 673

ARQUIVO AMORIM



Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

Luiz Carlos Amorim
 

“AVATAR”


 




 

Fui ver Avatar, em terceira dimensão, há alguns dias. E valeu a pena. Não havia ido ver nada no cinema em 3D e achei fantástico os galhos das árvores quase batendo na gente, aquelas criaturinhas que parecem flores voando na frente dos nossos narizes, o fato de a gente se desviar rapidamente de alguma coisa jogada na direção da câmera que filmou, isto é, em nossa direção. A tela do cinema parecia uma janela de onde a gente observava as coisas acontecendo ao vivo. Muito “maneiro”, como disse meu sobrinho de seis anos.

Mas independente da tecnologia de ponta utilizada para fazer o filme, recursos de última geração, efeitos especiais, da espetacular fotografia, da criatividade dos realizadores, impressionou-me sobremaneira a história. A mesma ganância, o imediatismo para transformar tudo em dinheiro, o egoísmo e a sede de poder a qualquer preço que vimos aqui no nosso velho mundo, na nossa maltratada Terra, a gente vê em Avatar. Alguns homens da Terra, depois de exauri-la, de arrancar tudo o que podiam tirar dela, agredindo a natureza e o meio ambiente, depois de matá-la, voltam-se contra um outro planeta, que tem alguma coisa de interesse deles, para destruí-lo, destruir seus habitantes e seu ambiente, suas coisas sagradas, seu habitat.

Mas esse planeta é habitado por nativos lutadores e, embora suas armas sejam rudimentares, sua união, seus valores e seu senso de preservação e de preservação do seu planeta são muito fortes. E eles lutam e conseguem expulsar o invasor, que destrói antes de ser expulso, mas não consegue acabar com os nativos.

E a Terra, quem vai nos impedir de tentar acabar de vez com ela? Onde está a nossa consciência, o nosso senso de preservação, a nossa responsabilidade para com nossos filhos e netos?

A ficção nos abre os olhos para o fato de que estamos destruindo o futuro. Há que nos conscientizarmos, aprendermos a lição com os nativos do planeta fictício Pandora, que defenderam seu habitat ferrenhamente, e tratarmos de cuidar da nossa combalida Terra.



(27 de fevereiro/2010)
CooJornal no 673