
13/02/2010
Ano 13 - Número 671
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
DE NOVO O FIM DO LIVRO
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O ano de 2009 completou a primeira década deste século. E se olharmos para trás,
poderemos ver que este início de século foi um divisor de águas. Não me refiro
ao fato de os últimos anos terem sido os anos da violência, da corrupção e da
impunidade, do descaso com o meio ambiente e a consequente ira da natureza,
traduzida em tempestades, ventos excessivos e inundações.
Refiro-me ao boom da tecnologia da informação e da comunicação. Os primeiros
anos deste novo século nos deram os celulares multifunção, que fazem de tudo,
começando por permitir que se fale com qualquer pessoa em qualquer lugar,
passando pela fotografia, pela música, televisão, internet, etc. Foi nessa
década que estouraram os sites de relacionamento, como Orkut, Facebook e outros,
estreitando a comunicação entre os internautas. Foi nestes anos que sites como
You Tube popularizaram o vídeo na internet e que houve uma revolução na maneira
de se ver filmes, seriados e televisão, com a banda larga ficando um pouco mais
larga, felizmente. A internet democratizou a distribuição de filmes e as
locadoras, como as lojas de CD, ficam cada vez mais obsoletas. A própria
televisão se transformou, com a chegada das transmissões digitais, com as novas
telas de leds, suplantando as de LCD e plasma, que baixam um pouquinho mais o
seu preço, à medida que vendem mais.
E a tecnologia digital está influenciando e revolucionando até a maneira de
lermos livros. O e-book, os livros eletrônicos que, apesar de terem sentenciado
o fim do livro tradicional já nos anos 90, até aqui não tinham dado certo, estão
voltando com força, já que aparelhos como o Kindle, leitor de textos americano
que agora também é vendido para o Brasil, apesar de já haver um leitor fabricado
aqui na terrinha, estão caindo no gosto de uma pequena parcela de leitores.
E já que o leitor de e-book foi bastante vendido nesse final de ano, volta
também o discurso de que o livro impresso, de papel, está com os dias contados.
Sei que o avanço do livro eletrônico, da popularização dos leitores de e-books é
inevitável, embora a longo prazo, mas vai ser muito difícil acabar com o livro
físico, como o conhecemos até hoje. Ele vai existir paralelamente ao livro
eletrônico, mesmo que este se torne popular, mesmo que o preço do leitor baixe e
mesmo que os arquivos a serem comprados sejam vendidos por um preço muito baixo.
Como dizia uma editora de uma grande casa publicadora de livros, o leitor de
textos digitais pode ser uma ótima ferramenta para alguns, mas não para outros.
Sempre haverá quem goste do livro de papel, assim como haverá quem goste de ler
o que quer que seja em aparelhos como o Kindle.
Uma coisa conviverá com a outra, pacificamente. Uma complementará a outra. Assim
como já aconteceu com outras mídias, como a música, o filme, o rádio, etc.
(13 de fevereiro/2010)
CooJornal no 671
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