19/12/2009
Ano 13 - Número 663

ARQUIVO AMORIM



Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

Luiz Carlos Amorim
 


OS JARDINS DAS NOSSAS CASAS

 




 

Minha amiga Urda, de Blumenau, mudou do apartamento que ficava à beira de um morro que deslizou para perto do prédio onde ele se localizava e ameaçava desabar novamente, com uma chuva mais forte. Ela foi para uma casa e há algumas semanas está na lida para ajeitar tudo. E me disse, hoje, que seu novo canto já está com jeito de casa, as coisas no lugar, até o jardim já tem flores desabrochando.

Fiquei feliz por ela – eu também morei alguns anos em apartamento, mas voltei a morar em uma casa, que é muito mais lar, para mim.

E disse a ela, então, que tenho tentado plantar algumas coisas aqui no meu “maiúsculo” jardim, que é também horta, mas a colônia de lesmas come tudo. É uma praga.

Plantei amor-perfeito e até que está bonito, por alguma razão as lesmas não os devoraram. As petúnias foram as mais atacadas pelas lesmas, mas algumas estão brotando de novo, renascendo do talo que havia ficado.
Plantei couves e brócolis e alfaces, num canteiro pequeninho. As quatro ou cinco dúzias de mudas de alface, a abençoada da lesma já comeu tudo. Sobraram as mudas de couve e brócolis, que estou tentando salvar. Estou indo de noite, com lanterna, no jardim, para catar quantidades enormes de lesmas, há uma semana. Nos primeiros dias, catei mais de cinquenta, botei todas num pacote plástico e mandei embora com o lixo. No segundo dia ainda catei mais um tanto, mas no terceiro, peguei cinza e joguei em cima de cada uma que encontrei, que a cinza é ácida e elas se desmancham. Como a cinza estava acabando, anteontem peguei água que tinha deixado "curtindo" com um pouco de cinza, que eu pretendia jogar nas couves-manteiga que estavam sendo atacadas também pelo pulgão e joguei em cada lesma que eu via. Consegui me livrar de um monte delas.
Ontem, como não tinha mais nada, joguei sal em algumas que encontrei. A quantidade delas diminuiu bastante, hoje já achei só duas ou três. Deve haver mais, mas eu não vi.
Amanhã devo assar anchovas na churrasqueira e então terei mais cinza, que vou botar na água para continuar combatendo pulgão e lesmas.
É impressionante como a danada da lesma, um bicho tão pequeno, consegue comer tantas folhas grandes tão rapidamente. Em uma noite elas fazem um estrago enorme.

Por enquanto, estou conseguindo salvar meus pés de couve, de brócolis e de nabos.

Vamos ver o que acontece quando voltar a chover, que é quando as lesmas surgem como que de geração espontânea.

Ainda bem que este problema a Urda não tem, na sua nova casa.



(19 de dezembro/2009)
CooJornal no 663