
12/12/2009
Ano 13 - Número 662
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
CORES E CHEIROS
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Recebi uma foto de um pé de xinxin de um fotógrafo amigo de Corupá e como estive
na terrinha, resolvi procurá-lo. Não lembrei que não era mais época da fruta, já
acabou a safra dos cítricos, a não ser pelo limão, que ainda tinha pés
carregados. O dourado de tangerinas, laranjas, xinxins e ponkãs maduras, que
manchava o verde de matas, pomares, quintais e jardins já se foi, para voltar
apenas no próximo inverno.
Uma vez na terrinha, saí para passear e rever lugares já conhecidos e também
para conhecer novos recantos. Enchi os olhos com uma quantidade imensa de
olho-de-boneca, um tipo de orquídea muito comum em nossa região, espetáculo belo
e perfumado. Há muito olho-de-boneca em tudo que é jardim. É tanta cor e tanto
perfume que a gente quase não entende como a natureza pode ser tão prodigiosa e
tão generosa. O perfume das orquídeas, inclusive, se mistura com o perfume da
flor de laranjeira, que também há em profusão, e a fragrância resultante é
sensacional.
Mas não é só orquídea que a gente vê. Alguns ipês já estão florescidos, pequenos
sóis a derramar tapetes de luz pelo chão, mas as flores vão cair com a chuva. O
manacá-da-serra – a variedade de jacatirão de inverno – ainda está florescido,
convivendo maravilhosamente com os ipês. As azaléias atrasaram um pouco, com o
descompasso das estações e estão desabrochando flores vermelhas por todos os
lugares. Além de petúnias, amores-perfeitos, marias-sem-vergonha, malvas,
cristas-de-galo, hibiscos, cravos de defuntos, gérberas, margaridas, etc.
Então, é muito bom voltar à terra da gente. Corupá ainda é um bom lugar para se
viver e a natureza aqui é mais bela, o verde é mais verde, as cores são mais
vivas. O Vale das Águas ainda é a perfeita tradução da beleza e da abundância e
o cheiro de inverno é perfume de orquídea e flor de laranjeira.
(12 de dezembro/2009)
CooJornal no 662
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