
14/11/2009
Ano 12 - Número 658
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
SC - ESTADO CONVIDADO DA FEIRA DO LIVRO
DE PORTO ALEGRE
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A organização da Feira do Livro de Porto Alegre, em correspondência dirigida ao
governo catarinense, no início deste ano, convidou Santa Catarina para ser o
Estado homenageado na sua edição de 2009. Se não fosse uma crônica de publicada
no Diário Catarinense do dia 20 de maio deste ano, denunciando o descaso da
falta de resposta, o convite não teria sido aceito.
Mas nada foi repassado à Câmara do Livro Catarinense, nem a nenhum escritor. Por
mais que perguntasse a FCC quem iria à feira e como seriam escolhidos os
escritores, nada era informado. No mês de setembro, finalmente, os grandes
jornais publicaram matéria sobre o assunto, divulgando os nomes de escritores
catarinenses que comporiam a comitiva que a Fundação Catarinense de Cultura
levou à feira gaúcha, representando as letras catarinas.
Ao menos o convite não foi esquecido mais uma vez e o Estado honrou a homenagem
que lhe foi feita. Foram dezesseis os escritores escolhidos. Um deles foi o
cronista que denunciou a falta de resposta do Estado ao convite. Ele mereceu. E
há outros nomes importantes, como Eliane Debus e Silveira de Souza, por exemplo,
e um ou dois escritores novos. No entanto, não se sabe que critério foi usado
para a escolha dos nomes que o Estado levou ao Rio Grande do Sul. Muitos nomes
importantes, autores consagrados que levam a literatura catarinense além
fronteiras, não foram convidados.
Os jornais publicaram, também, a nominata da equipe de intelectuais que definiu
os escritores que comporiam a comitiva que foi representar as letras
catarinenses no Rio Grande do Sul.
Interessante que quase todos os nomes que compõe a comissão que escolheu os
escritores também faz parte da comitiva que viajou, com exceção de Jayro Schmidt
e Lauro Junkes. Os outros integrantes da comissão de “selecionadores”, Fábio
Brugemann, Dennis Radunz, Marco Vasquez, Péricles Prade e Tânia Piacentini são
da comissão de seleção e também são nomes da comitiva, selecionados por eles
mesmos para irem à Feira do Livro de Porto Alegre. Não é interessante?
Como bem disse uma das mais importantes escritoras de Santa Catarina, Urda Alice
Klueger, “Tem gente que está na lista e que, pelas minhas contas, absolutamente
não representa a literatura catarinense, mas sim os fechadíssimos círculos do
poder político (leia-se: o poder que traz vantagens econômicas para algumas
pessoas) - quem decide que tais pessoas são os representantes literários de
Santa Catarina?“
Pegou muito mal a Fundação Catarinense de Cultura formar uma comissão para a
escolha de quem ia participar da Feira em Porto Alegre e deixar que eles
escolhessem os próprios nomes, a panelinha de sempre. Esse era um dos critérios
para seleção? Legislar em causa própria? Puxar a brasa para a própria sardinha?
Isso depõe, inclusive, contra a escolha dos outros nomes, pois a comissão
selecionadora coloca, assim, dúvidas quanto à imparcialidade e lisura que
deveria ter.
Seria de bom tom que a FCC usasse de melhores critérios nos assuntos da nossa
cultura. Por uma questão de esclarecimento, de transparência, porque afinal de
contas, nisso está envolvido também o dinheiro público.
(14 de novembro/2009)
CooJornal no 658
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