31/10/2009
Ano 12 - Número 656

ARQUIVO AMORIM



Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

Luiz Carlos Amorim
 


O TEMPO


 




 

E, apesar da chegada da primavera, o tempo descompassado – por culpa de quem será? – traz temporais, ventos e granizo para Santa Catarina, destruindo casas, plantações, estradas, quase cidades inteiras. Faz  poucas semanas que tornados e tempestades haviam devastado algumas  regiões do estado, as vítimas nem haviam se recuperado e agora volta  tudo, com mais intensidade. A chuva quase não dá trégua, pára um ou  dois dias, volta inclemente e insistente e as encostas começam a  deslizar. Os rios transbordam e alagam tudo. Aqui e no Rio Grande do  Sul, também.

Será assim, daqui por diante?

Nosso estado, que não tinha ocorrência de tornados e furacões, parece  que agora está também na rota deles. Não estamos preparados para isso.  Quem está?

O estrago que fizemos na natureza, no meio ambiente, durante muito tempo, poluindo o ar, a terra, a os rios e o mar não ficará impune. A  amostra está aí. Não temos mais estações definidas, o tempo está  irreconhecível, as variações climáticas extremas acontecem a qualquer  hora.

Infelizmente nós, os seres humanos, não aprendemos. Com todas as tragédias que tem acontecido nos últimos anos, em função das variações  do tempo, parece que não entendemos as mensagens e continuamos a  agredir a nossa Mãe Terra, poluindo-a de todas as maneiras possíveis.  Quando vamos aprender? Haverá tempo?

Quem vai responder essas perguntas? O poder público, que permite que as pessoas construam em áreas de risco, permitem desmatamento onde ele  não deve ser feito, permitem que joguem esgoto industrial e doméstico  nos nossos rios e no mar?

Nossos políticos, quem sabe? Que aos invés de atentarem para o que vem  acontecendo ao seu redor, estão mais preocupados em legislar em causa  própria e se apropriar do bem comum?

A natureza é sábia e ela cobrará o descaso e desrespeito dos seres  humanos para com ela. É tempo de nos conscientizarmos disso. Nosso  prazo está acabando. Todas as tragédias causadas pelo tempo, nos  últimos anos não são exemplos suficientes?


(31 de outubro/2009)
CooJornal no 656