
26/09/2009
Ano 12 - Número 651
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
EUCLIDES DA CUNHA, O ESCRITOR QUASE ESQUECIDO
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Acabo de ler uma carta de leitor do Estadão, comentando o centenário da morte de
Euclides da Cunha, o genial autor de “Os Sertões”, constatando que o grande
escritor ainda é, infelizmente, um ilustre desconhecido. Bate naquela velha
tecla que nosso sistema de ensino, falido, insiste em manter funcionando: a
escola não forma leitores, apenas ensina a escrever, o que implica,
automaticamente aprender a ler, mas não implica incutir o gosto pela leitura.
Aliás, ensinava, pois depois das mudanças recentes no primeiro grau, quando
mudaram o sistema de alfabetização, encontramos muitos alunos de terceiro,
quarto anos que não sabem ler e escrever.
Um grande escritor como Euclides da Cunha não é conhecido dos estudantes e nem
da maioria dos cidadãos brasileiros, porque a escola não tem, no seu currículo,
um espaço para estudá-lo. Não vamos falar da qualificação dos professores, da
sua remuneração e da motivação decorrente disso, pois já é lugar comum, embora
valha dizer que não devemos nos conformar com este estado de coisas e exigir uma
educação de qualidade, que temos o direito de tê-la.
Felizmente alguns jornais lembraram o centenário da morte do escritor,
jornalista, engenheiro Euclides da Cunha, ocorrido no dia 15 de agosto, e isso
colabora para que sua obra seja divulgada. Não é o suficiente, mas já é alguma
coisa. Ele merecia mais respeito e reconhecimento pela excelência da sua obra,
que poderia ter sido bem maior, se não tivesse morrido tragicamente aos quarenta
e três anos de idade. Se ele produziu uma obra-prima como “Os Sertões”, muito
mais poderia ter produzido, não fosse a morte prematura.
“Publicado em 1902, “Os Sertões” nasceu da cobertura jornalística de um dos
conflitos mais sangrentos da história brasileira: a ação vitoriosa do exército
contra revoltosos instalados na cidade baiana de Canudos. Euclides viajou para o
local em 1897, a convite de Julio Mesquita, então diretor do jornal “A Província
de São Paulo”, hoje “O Estado de São Paulo”.
Outros correspondentes já acompanhavam as tentativas do exército de derrotar os
seguidores de Antonio Conselheiro, no interior da Bahia. Mas Euclides
destacava-se como o escolhido natural: colaborador havia nove anos, publicara,
nos dias 14 de março e 17 de julho daquele ano, dois artigos com o título de “A
Nossa Vendeia”. São textos em que Euclides apresenta aspectos físicos daquela
região do sertão e se aventura a dar palpites sobre as dificuldades táticas e
estratégicas do levante.
No período em que cobriu o fato, Euclides submeteu-se a um verdadeiro rito: se
quando deixou São Paulo estava seguro da natureza monarquista da rebelião em
Canudos, o escritor (republicano) foi obrigado a reformular seu julgamento,
forçado pelas contingências. E se tinha a urgência do repórter, acumulou
material para a reflexão sobre o fenômeno que resultaria em “Os Sertões”.” (AN)
A Flip, Festa Literária de Paraty, realizada em junho, numa homenagem feliz dos
seus organizadores já homenageava o escritor, com uma mesa-redonda para discutir
o centenário e a obra dele.
(26 de setembro/2009)
CooJornal no 651
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