
29/08/2009
Ano 12 - Número 647
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
FRITZ E O RIO CACHOEIRA
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No meu poema “O Rio da Minha Cidade”, publicado no livro “Meu Pé de Jacatirão”,
no início dos anos 90, eu já lamentava a morte do Rio Cachoeira, abandonado por
todos: “Joinville, / Cidade das Cores, / das flores e das bicicletas. /
Joinville da poesia, / das palmeiras e da dança, / Joinville da chuva tanta,
Joinville do Rio Cachoeira. // Cidade maior / da Santa e bela Catarina /
Joinville de século e meio, / de existência e resistência. // O progresso
chegou, / Joinville, / para o enterro / do teu rio...”
De lá para cá, nada mudou. A cidade cresceu, mas o descaso para com o rio
também. As empresas jogam resíduos químicos no rio, muito esgoto é lançado no
Cachoeira, jogam também lixo nele. E ninguém faz nada. Houve, há muitos anos,
até uma campanha que foi taxada de ridícula, na época, pois pedia que as pessoas
não jogassem copinhos plásticos no rio para não poluí-lo. Ora, porque será que a
campanha era ridícula? Porque as autoridades do município deveriam, isto sim,
fiscalizar e proibir o despejo de lixo químico e esgotos domésticos no rio, e
não pedir que não se jogasse copinhos nele. As saídas de esgoto e de rejeitos
das fábricas estão visíveis para quem quiser ver e ninguém nunca foi selar esses
bueiros. O rio só será ressuscitado, se todos os canos que desembocam no rio
forem fechados e o lixo que eles liberam for tratado. É claro que o cidadão
comum não deve jogar qualquer coisa nele, mas como cuidar de um rio que está
morto porque o veneno maior que é jogado nele não é coibido?
O nosso querido e quase extinto Rio Cachoeira está em evidência, atualmente,
porque o Fritz, jacaré que sobrevive nele – não sei como – foi visto, outro dia,
saindo para respirar no meio da água (água?) azul. Sim, azul, e causou espanto,
porque a água (desculpem, não é água, mas é o hábito, um rio deveria ser
composto de água, então...) dele normalmente é acinzentada, meio para o marrom,
coisa de filme de terror. Então voltou-se a falar nele, na polêmica morte
anunciada, efetivada, assistida, sem que ninguém movesse um dedo.
A limpeza do Rio Cachoeira vem sendo mote de campanha política há décadas.
Promessas e mais promessas de cada prefeito, lembro que o Lula – aquele aqui de
Joinville, não o malfadado presidente – prometeu, quando foi eleito, que ele ia
limpar o rio e provaria isso tomando banho nele quando terminasse o seu mandato.
Ele entrou na água, sim, mas lá na foz do rio, onde a água se mistura com o mar
e é bem mais limpa e mesmo assim com roupa de borracha até a cabeça. Outra
história hilária e irritante ao mesmo tempo.
E o pobre o Fritz vai continuar sofrendo com a lama podre do rio onde vive, pois
não creio que a prefeitura de Joinville tenha peito para fechar todos os canos
que estão lá despejando lixo e matando um pouquinho mais o Cachoeira, a cada
dia.
Senhores administradores da Cidade das Flores, provem que estou errado.
Revitalizar o rio é possível, já vimos isso acontecer pelo mundo e até aqui no
Brasil. Então...
(29 de agosto/2009)
CooJornal no 647
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