
11/07/2009
Ano 12 - Número 640
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
LIÇÃO DE DANÇA E DE VIDA
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Sábado, dia 20 de junho, aconteceu o baile de aniversário do Ateliê da Dança,
academia onde sou aluno, mas não pude ir porque peguei um daquelas gripes que
derrubam a gente. Uma pena, pois havia música ao vivo a partir das nove da noite
e depois do começo da madrugada a festa continuou com música mecânica. Não sou,
nem de longe, um bom dançarino, mas gosto de dançar.
Então, para não deixar de ir ao churrasco do nosso grupo de dança, hoje,
organizado pelos professores Michel e Geovana, tomei uns naldecons da vida e
fui. Não tomei cerveja, fiquei só no refrigerante não gelado, mas o churrasco
estava ótimo. Encontrei amigos, conheci gente nova e até dancei. Foi uma tarde
agradabilíssima. Até me matriculei na aula de dança de salão da professora
Renata, com quem conversamos um bocado. Ela é uma criaturinha muito simpática e
trocamos figurinhas de nossas viagens por aí, além de falar de dança, é claro.
As turmas que estavam reunidas eram alunos de aula de dança gauchesca, que eu
chamo de bailão, porque eu acho, cá pra mim, que onde tem gente reunida é só
tocar ritmos como vaneira, milonga, chamamé, xote, valsa e até marchinha que
está feito um baita dum baile. Estavam, ali, alunos intermediários e iniciantes.
Então, observando os casais a dançar, constatei que há colegas que dançam
muito bem, com uma leveza extraordinária, evidenciando um aprendizado amplo e
uma vocação inequívoca. E vi um garoto, de dezoito anos, mais ou menos, talvez
menos talvez um pouquinho mais, que começou dançando uma ou outra vaneira, com
dificuldade, mas foi insistindo e foi melhorando. Aí perguntei para a professora
Geovana quanto tempo ele estava na turma de iniciantes e ela me disse que ele só
tinha feito uma aula. Ele recém tinha iniciado o curso. Fiquei pensando, cá com
meus botões, que aquele menino é um vencedor e que é uma daquelas pessoas que
vai se dar bem na vida, pois tendo feito apenas uma aula, muita gente teria
ficado inibida de se expor, dançando do meio da maioria, que era de
intermediários e sabia um pouquinho mais. Ele não se intimidou, foi à luta,
dançou mesmo sem saber quase nada e lucrou, pois aprendeu muito mais.
É com essa postura que precisamos enfrentar a vida. Não podemos nos intimidar,
esperar para depois, temos é que meter a cara e tentar, pois do contrário
ficaremos para trás. Esta é uma lição que todos devemos aprender de novo, todos
os dias.
(11 de julho/2009)
CooJornal no 640
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