
04/07/2009
Ano 12 - Número 639
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
TEMPO DE TAINHA
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Recebi um filme de pesca de tainha realizado numa das praias da Ilha. Fico
fascinado por esse fenômeno fabuloso que é puxar as redes com toneladas e
toneladas de tainha. É de uma beleza única.
E eu que nunca liguei muito para o peixe em si, só gostava da tainha feito
cambira, aquela escalada, salgada e secada ao sol, tenho comido tainha recheada
(com ova, camarão, farinha e temperos, como aprendi com minha mãe), caldo de
tainha e tainha frita. Nada como morar aqui, pertinho de onde acontece o milagre
dos peixes.
Então faço água na boca da minha amiga Fátima de Laguna e ela me pede que eu dê
as receitas da cambira e do caldo. Muito pouca gente sabe, pelo que tenho
percebido, que a cambira é a tainha escalada. A gente pega ela, já sem escamas,
eviscerada, sem cabeça e a abre de fora a fora, cortando encostadinho à espinha.
Depois é só salgar, dos dois lados, bem salgado - isso é escalar, conforme quem
mora na beira do mar e conforme o
Aurélio, também.
Mas voltando ao nosso peixe, depois de escalado é só colocar ao sol e deixar ele
secar. Com um ou dois dias ele fica quase marrom e a cambira está pronta. É
cortar em pedaços, dessalgar - ferver trocando de água umas duas ou três vezes,
fritar ou grelhar e comer com o que preferir, mas eu não sei de nada melhor do
que um pirão de água. Ah, não sabem o que é pirão de água? É só ferver água,
colocar farinha de mandioca no prato, despejar a água quente em cima e misturar.
Aí é fechar a porta e comer.
Já o caldo de tainha é feito como os outros caldos de peixe: pique alguns
tomates, sem pele e sem sementes ou como preferir. Refogue com manjericão ou
alfavaca (não pode faltar, é condição sine qua non), com alho e outros temperos
verdes, a gosto, coloque água o suficiente para a quantidade de peixe a cozinhar
e não esqueça o sal. Quem gosta, pode usar colorau ou massa de tomate, para dar
cor. Fervendo o caldo, coloque a tainha cortada em postas e temperada
anteriormente com limão, sal e manjericão. Não deixe cozinhar muito, para o
peixe não se desmanchar.
Já dá pra fazer o pirão com o caldo e farinha de mandioca e comer com o peixe
cozido, que estará uma delícia. Não é fácil?
Florianópolis já não é aquele paraíso para se viver: temos muita violência,
assassinatos, tráfico de drogas, assaltos, roubos, falta de segurança, enfim.
Mas ainda somos privilegiados com um lugar lindo e que nos possibilita ter uma
mesa farta com peixe em abundância e fresquinho.
(04 de julho/2009)
CooJornal no 639
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