13/06/2009
Ano 12 - Número 636

ARQUIVO AMORIM



Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

Luiz Carlos Amorim
 

A FEIRA CATARINENSE DO LIVRO


 


 

A segunda Feira Catarinense do Livro transcorreu em meados deste mês de maio, no Largo da Alfândega, em Florianópolis. Uma feira apenas para vender livros, sem maiores atrações, infelizmente. A realizadora da feira, a Câmara Catarinense do Livro, vem enfrentando dificuldades para fazer acontecer a feira, pois já se passaram algumas edições que ela não é mais do que a simples oferta de livros, sem nenhuma atrações paralelas, como a presença de um grande escritor de renome nacional.

Nesta edição parece que a situação estava pior, pois o stande que era disponibilizado para os escritores locais, até então gratuitamente, nesta edição teve que ser pago. Cada escritor que queria expor na feira, para utilizar o stande teve que ajudar a pagá-lo. Sempre achei que a feira se pagava, com o dinheiro resultante do pagamento dos standes, por livrarias e editoras, mas pelo jeito não é bem isso. Não sei quanto os sócios pagam de anuidade, mas seja o que for, não dá condições para a Câmara Catarinense do Livro fazer o seu trabalho como deveria. De um ou dois anos para cá, até os funcionários da Câmara foram reduzidos drasticamente, de três ou quatro para um.

Quem queria um lugar onde fosse oferecida uma boa gama de opções para a compra de livros, a feira estava lá. De tamanho menor que as anteriores, sem justificar quase nada o título de “Feira Catarinense do Livro”, mas estava lá. A visitação foi razoável e a quantidade de livros vendidos também, segundo o que foi divulgado.

Como sempre, o que se vendeu mais foram os livros infantis. Mas os livros infantis que se vendem são aqueles que reproduzem as fábulas antigas, tradicionais e importadas, que não têm direitos autorais para pagar a ninguém e por isso mesmo são impressos em grandes tiragens, além de serem volumes de poucas páginas, quase sempre edições nada sofisticadas. Por isso mesmo, podem ser vendidos a cinqüenta centavos, um real cada e engordam as estatísticas de vendas. Em detrimento dos excelentes livros infantis e infanto-juvenis de autores brasileiros, que existem em quantidade e qualidade expressivos.
Não estou dizendo que o livro infantil de autor brasileiro não vende, mas poderia vender muito mais, não fossem os contos de fadas importados que são vendidos muito baratos e em pacotes de cinco, dez livros, pequenas coleções.

Verdade que as editoras poderiam, talvez, confiar mais nos escritores da terra e fazer edições maiores, para que pudessem custar menos. Um livro que custa vinte reais, como um que comprei, poderia custar metade, se tivesse uma tiragem maior e a edição fosse um pouquinho menos sofisticada.

Menos mal que estamos comprando livros para colocar nas mãos de leitores em formação. Só precisamos tentar melhorar a qualidade destas compras.



(13 de junho/2009)
CooJornal no 636