
06/06/2009
Ano 12 - Número 634
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
|
Luiz Carlos Amorim
OS MELHORES AMIGOS
|

|
Pituxa, a nossa pinscher Xuxu, tem quatorze anos. Quase não enxerga mais, talvez
já não ouça bem, também. Mas é a nossa criança. Quando a gente está em casa, ela
está sempre procurando alguém em quem se encostar. Não reconhece a gente de
pronto, quando chegamos em casa, mas faz uma festa quando ouve a nossa voz.
Ocorre que eu e Stela viajamos e ficamos quase um mês fora. Fomos a Portugal,
para conhecer a terrinha e sempre mantivemos contato com as filhas, que ficaram
em casa. E soubemos que Pituxa não comeu por três dias, depois que saímos. Mas
isso não foi o pior: ela ficou dias a fio de plantão, sentadinha em frente ao
portão da garagem, esperando que chegássemos. Dava vontade de voltar, ao saber
disso.
Quando chegamos ao aeroporto de Florianópolis, ela estava lá esperando, junto
com o resto da família. Ela não deve ter entendido porque ficamos tanto tempo
longe, mas agora fica mais desesperada quando a gente começa a arrumar malas
para viajar.
Não resisti ao registro do fato, pois encontrei um outro bichinho parecido com
Xuxu em Coimbra e queria poder falar dela também. Tratava-se um uma chiuaua, de
pelo avermelhado, pequena, devia pesar um dois ou três quilos. O seu dono era um
tocador de violão que, enquanto tocava, colocava-a sentada a sua frente, imóvel,
com um porta-moedas pendurado no pescoço. Havia uma cesta, também, para quem
não quisesse colocar as moedas a fazer peso no pescoço da cachorrinha. Ela era
mantida em uma coleira e de vez em quando o dono a puxava, para mudar de local.
Perguntei a idade dela e ele me disse que ela tinha nove anos. Perguntei se era
mansinha, se podia fazer um carinho, ele disse que sim. Tentei passar a mão em
sua cabeça, ela até deixou, mas encolheu-se, assustada, como se eu fosse
machucá-la. Não falei nada, mas pensei que ela poderia ter sido maltratada para
se submeter àquele trabalho.
Fiquei comparando a nossa Pitucha, cercada de tanto carinho, com aquela
cadelinha que era obrigada a trabalhar. E imaginei a chiuaua na rua, com os dias
frios que estavam por vir em Portugal, que agora está na primavera, mas já conta
com algumas temperaturas que exigem agasalho. E olhem que a menininha ajudava o
rapaz a ganhar a vida...
(06 de junho/2009)
CooJornal no 635
|
|