
30/05/2009
Ano 12 - Número 634
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
A ROTA DAS CACHOEIRAS de CORUPÁ
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Fiz, finalmente, a rota das cachoeiras de Corupá, no final de abril. Apesar do
pouco volume de água, em razão da estiagem na região, a beleza que transborda os
olhos e a alma da gente é incomensurável. Eu já tinha ido até a terceira
cachoeira, quando a rota era mais íngreme, mas agora pude visitar quase todas. A
primeira cachoeira, que podemos ver sem começar a subida da trilha é a dos
Suspiros, belíssima. A segunda, Cachoeira da Banheira, por ter uma verdadeira
piscina na sua base, também é bem grande e extasia o visitante. A terceira é a
Três Patamares, quedas menores em seqüência, nem por isso menos belas. Pousada
do Café é a quarta cachoeira e tem esse nome porque é onde os turistas param
pela primeira vez para fazer um lanche e admirar a beleza das águas. A quinta,
Cachoeira do Repouso, tem esse nome porque conta com uma grande laje de pedra ao
seu lado, onde se pode parar para descansar e aproveitar o espetáculo que se
descortina diante dos olhos. Cachoeira do Remanso é a sexta delas, com pouca
altura, suas águas caindo tranqüilas formando outra piscina. As sétima e oitava
cachoeiras são duas cachoeiras que se encontram e por isso chamam-se Cachoeiras
da Confluência. A nona cachoeira é a da Corredeira e tem esse nome porque são
quedas em degraus, menores. Talvez porque a água não escorra pela rocha,
descendo em queda livre e caindo sobre a base ou porque o terreno é acidentado e
possa derrubar o visitante, a décima é a Cachoeira do Tombo. Cachoeira do
Palmito é a décima primeira e o nome lhe foi dado devido a um palmiteiro que se
curvava sobre a grande queda d´água. A décima segunda é a Cachoeira Surpresa,
pois aparece de repente, logo após uma curva no caminho, revelando um dos mais
belos espetáculos da rota. Não consegui ver a décima terceira, a Cachoeira do
Boqueirão, porque estava fechada. E então andamos, cansados, mais um bom tanto
de caminho para então vislumbrar a décima quarta, a Cachoeira do Salto Grande,
com 125 metros de queda livre. Valeu o cansaço da subida, pois a beleza que se
tem pela frente é alguma coisa fantástica, que excede qualquer expectativa.
Infelizmente, não dá para falar apenas das belezas das quedas d´água. O parque
Rota das Cachoeiras é uma reserva natural, mas pertence ao Grupo Battistela, é
particular. Há quatro anos, começaram a cobrar ingresso para aqueles que
quisessem visitar o lugar, fosse para fazer a trilha das cachoeiras ou apenas
visitar a primeira, que fica na base da rota e não é preciso subir para vê-la.
Perguntei ao rapaz que ficava na entrada do parque para conferir os ingressos, o
que era feito com o dinheiro arrecadado. Ele me disse que todo o dinheiro é
usado na manutenção do parque. Eu perguntei a ele em que manutenção. Porque a
impressão que se tem, antes de começar a subir a trilha, é que aquilo está
abandonado. O restaurante que havia lá em cima, na base da trilha, não existe
mais. Nem a janelinha onde vendiam água mineral e refrigerantes. Os quiosques
que poderiam estar oferecendo lembranças da região, camisetas, artesanato,
comidas típicas, sei lá mais o que, estavam todos fechados, e não é de agora. A
área de churrasqueiras, com mesas e bancos, está lá, em pé, mas o madeirame está
apodrecendo. Os banheiros, pelo menos os dos homens, estavam em obras. Mas mesmo
as pias e mictórios, que deveriam estar funcionando, estavam todos entupidos,
transbordando. Soube que o banheiro das mulheres estava parecido.
Quiosques que existiam pelo mato, com infra-estrutura para se fazer um
churrasco, estão no chão, o material empilhado apodrecendo no tempo.
A trilha, até a quarta cachoeira está uma beleza, tem degraus para a subida e
até corrimão para maior segurança dos turistas. Mas depois da quarta cachoeira a
segurança já não é mais tanta e o visitante cansado tem que tomar cuidado para
não escorregar, senão cai pela ribanceira. A 13ª cachoeira está fechada há
semanas e não há indicação do que aconteceu ou quando vai ser reaberta.
Então que manutenção é essa? Antes de cobrarem ingresso o parque era mais
cuidado.
É uma pena que o município não esteja explorando todo o potencial turístico da
região. Para se ter uma idéia, naquele domingo em que estivemos lá havia
centenas de pessoas pagando ingresso. A cinco reais cada uma, o valor arrecadado
só naquela oportunidade daria para fazer muita melhoria no lugar.
(30 de maio/2009)
CooJornal no 634
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