23/05/2009
Ano 12 - Número 633

ARQUIVO AMORIM



Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética

 

Luiz Carlos Amorim
 

PRÊMIOS E LIVROS


 


 

O retorno do Prêmio Cruz e Sousa está provocando discussões, e isto é bom, pode agregar valor à idéia inicial. O concurso dá alguns dos maiores prêmios do país: são cento e sessenta mil reais - já foi maior -, divididos entre os três primeiros colocados nas categorias nacional e catarinense.

A discussão quer surge entre escritores do Estado é a possibilidade de, ao invés do Cruz e Sousa dar prêmios apenas para livros acabados, dar também bolsas para projetos de romances. Isto é: o prêmio, pago em parcelas por determinado número de meses, serviria para custear a dedicação integral do escritor na construção da sua obra. É claro que haveria algum controle nesta produção, tipo não pagar a parcela do próximo mês se o cronograma da obra não estiver cumprido e assim por diante.

Isto já existiu, e existe, inclusive no Brasil, e é uma boa idéia subsidiar a produção do escritor, que com uma bolsa não teria de se preocupar com outras atividades para garantir a sobrevivência.

A Bolsa Virtuose de Literatura é um exemplo. Concedida a escritores com livros publicados e com desejo de fazer um curso de aprofundamento em sua área, já deu cobertura dos custos do curso e uma ajuda de custo mensal para o participante no período de duração da mesma. Outro exemplo é Bolsa Vitae de Literatura, concedida para conclusão de obra e destinada a escritores com livros publicados. A bolsa duraria de 6 a 12 meses. Há, também, o concurso Prêmio Governo de Minas Gerais. Uma das categorias do concurso, que dá mais de duzentos e trinta mil reais em prêmios, é Jovem Escritor Mineiro e oferece quarenta e dois mil reais parcelados em seis meses, destinado à pesquisa e elaboração da obra. E há ainda o Prêmio Literário da Petrobrás, para obra de ficção e/ou poesia. Para ser apresentado, o Projeto já deve ter sido iniciado pelo autor. A idéia não é nova, mas é boa. É claro que a qualidade da obra contemplada com a bolsa, depois de acabada, poderia não ser a que mereceria o prêmio. Não há como haver garantia. Mas por que não E, falando em projetos culturais, volto a bater na tecla Lei Grando. Ela existe há quase vinte anos e determina a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses, livros esses que seriam selecionados pela Comissão Catarinense do Livro. Só que não vinha sendo cumprida. Eu mencionei, em crônica anterior, que a bendita lei não havia saído do papel e então recebi um e-mail de Paulo Arenhart, ex-diretor da FCC, alertando-me que a lei foi colocada em prática na gestão dele. Ele garante que funcionou “como um relógio” durante três anos. Eu não sabia e não conheço ninguém que sabia. Mas se foi assim, está ótimo. A presidente da FCC havia me dado uma boa notícia, no início do ano, pois me confirmou a primeira reunião que “formataria e faria a seleção das obras para fazer cumprir a Lei Grando” para o dia 4 de março. O que surpreendeu foi a “seleção das obras” já na primeira reunião. Deve existir muitas obras inscritas. Será que os membros da Cocali já leram todos os livros? O fato é que não pude comparecer no dia marcado porque estava viajando. E não consegui arrancar da Assessora de Comunicação da FCC notícias sobre a reunião, se ela realmente aconteceu, o que foi feito, o que falta fazer. De maneira que, infelizmente, parece que voltamos à estaca zero. A Lei Grando não foi cumprida por todo esse tempo e a julgar pela falta de notícia do que aconteceu ou está acontecendo, temo que vai continuar assim.


(23 de maio/2009)
CooJornal no 633