
09/05/2009
Ano 12 - Número 631
ARQUIVO AMORIM

Luiz Carlos Amorim
em Expressão Poética
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Luiz Carlos Amorim
PORTUGAL, TERRA IRMÃ
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Estive alguns dias em Portugal, coisa que tinha o desejo de fazer há um bom
tempo. Passeei por Lisboa, Cidade do Porto, Coimbra e outras cidades menores.
Fiquei impressionado pelas partes antigas das cidades, com a belíssima
arquitetura, com a manutenção de tudo. A parte nova ou moderna de Lisboa me
encantou, pelo toque futurista, como na entrada da estação Oriente do metrô. As
pessoas, em geral muito educadas, são às vezes mais expansivas, como o
brasileiro, deixando-nos muito à vontade. Já alguns portugueses são mais
tímidos, ou mais fechados.
Conversando com moradores de Lisboa e da Cidade do Porto, percebi algumas
diferenças na maneira de falar. Notei que algumas pessoas puxam mais pelo xis,
como no caso de palavras que tem sc, por exemplo “nascer”. Mas isto é apenas
curiosidade.
O que me chamou atenção, mesmo, foi a não adesão dos portugueses, ainda, ao
Acordo Ortográfico. A começar pela fala cotidiana, passando pela televisão (não
ouvi rádio) e até mesmo nos jornais. A acentuação gráfica continua sendo usada
como era antes e o “c” e o “p” de palavras como “actual” e “óptimo”, que com a
nova ortografia caem, continuam sendo falados e escritos.
Aliás, os portugueses demoraram mais do que qualquer outro país lusófono a
assinar o novo acordo e pelo que ouvi em conversa por lá, eles não viam e não
vêem com bons olhos a reforma. No Brasil, onde as mudanças são menores, achamos
que a reforma era desnecessária, imagine-se Portugal, onde a reforma é mais
ampla.
Existem muitas palavras corriqueiras no vocabulário português que têm outro
significado aqui no Brasil ou que não são usadas por nós. Como o caso de “fila”,
existem muitas outras palavras. Então fico imaginando que a unificação da língua
portuguesa, objetivo da reforma ortográfica, nunca vai se efetivar, não sei se
felizmente ou infelizmente.
E já que falamos em jornal, li os grandes jornais portugueses e não pude deixar
de verificar alguma diferença com os nossos. Os jornais de lá são grandes, têm
muitas páginas, mas tudo é informação, é notícia. Não tem muito aquela coisa de
coluna social, por exemplo, que lotam os cadernos de variedades por aqui. Para
assuntos como televisão, cinema, música, teatro, arte enfim, alguns deles
publicam revistas, que vem encartadas, fazendo parte da edição normal do jornal.
Gostei das livrarias em Portugal, elas existem lá mais do que aqui e são bem
amplas. O preço, convertendo os euros para cruzados, é mais ou menos igual. Vi
que as pessoas lêem bastante. Havia gente lendo no metrô, no ônibus, nas
praças...
Saindo das letras e enveredando pela gastronomia, não dá pra deixar de falar no
pão que se faz em Portugal. É uma variedade grande de pães e todos eles são
muito gostosos.
No mais eu quis comer bacalhau, enquanto estava lá. Em Lisboa, os pratos de
bacalhau são praticamente os mesmos em qualquer lugar e, como aqui no Brasil,
não tem muito bacalhau, o que vinha mais era batata. Bolinho de bacalhau é mais
difícil de encontrar do que aqui, e não se chama bolinho, mas pastel de
bacalhau. E também tem pouco bacalhau, pelo menos os poucos que encontrei,
procurando muito. Já em Coimbra comi um bom bolinho de bacalhau e um excelente
prato à base de bacalhau. O queijo feito com leite de cabra, de vaca e de ovelha
é excelente.
No mais, tomei muito vinho. Vinho verde, vinho do porto, vinho de todos os tipos
e de muito boa qualidade. E naveguei no Tejo.
(09 de maio/2009)
CooJornal no 631
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