| Luiz Carlos Amorim
A ATUALIDADE DE TARTUFO
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Assisti “Tartufo”, de Molière, recentemente, e fiquei impressionado com a
atualidade da peça, que eu já tinha lido, mas vê-la encenada, montada,
interpretada por um grupo de bons atores como Ernani Moraes, Ana Lúcia Torres,
Eduardo Moskovis e outros dá uma outra dimensão à obra. A ganância, os
interesses escusos, a sede de poder a qualquer custo, a exploração dos crédulos,
humildes ou ingênuos, mostrados pelo autor estão aí, grassando hoje como nos
idos tempos de 1664, quando a peça foi escrita, quem sabe até mais. E censurada,
Molière teve que reescrevê-la, pois mexia com a igreja e por isso queriam
queimá-lo vivo.
Não sou crítico, decidi falar sobre “Tartufo” como espectador, após ler um
comentário de um “crítico”, em um de nossos grandes jornais, publicado em
seguida à apresentação da peça. Que a peça de Molière é uma obra prima, ninguém
discorda. Mas o “crítico” até nisso coloca dúvida, falando em ridículo. E se
mostra indignado com a montagem feita pelo grupo de atores, declarando estar
infinitamente longe de ser aceitável. Para ele, faltou cenário – eu li a peça, e
o autor não especifica cenário -, tripudiou o guarda-roupa, que não estava
luxuoso como ele acha que deveria ser, o que teria “destruído” a caracterização
das personagens, e reduziu à canastrice a interpretação dos principais papéis,
colocando-os ao nível dos piores programas de humor da nossa televisão.
Aceito que o ilustre “crítico” não tenha gostado, mas sempre disse e repito que
não é porque eu não gosto de alguma coisa que essa coisa não presta. A peça vem
sendo apresentada pelo Brasil há meses, sempre com casa cheia, revestindo-se de
sucesso contínuo. Será que todos estão errados e só ele está certo?
Quero crer que não e acho que o tal “crítico” deu atestado de que não pode se
arvorar de crítico de teatro coisa nenhuma, perdendo uma ótima oportunidade de
ficar calado. A montagem da peça poderia ser melhor? Talvez, mas a mensagem, o
conteúdo foi transmitido e o público se divertiu. Ernani Moraes, por exemplo,
esteve muito bem, deu banho, assim como Ana Lúcia. Não que os demais não
estivessem bem. Houve deslizes, como Moskovis crucificado no final, coisa que
não está na peça. E não os há, sempre?
“Tartufo” precisa ser visto, porque há muitos deles por aí.
(12 de julho/2004)
CooJornal no 377
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC