09/07/2004
Número - 376

ARQUIVO AMORIM

 

Luiz Carlos Amorim



MINHA AMIGA ÁRVORE
 
 
 

Tinha eu começado a escrever esta crônica, quando recebi uma mensagem de uma grande amiga me sugerindo falar sobre os pessegueiros em flor, a propósito de coisas que eu já havia escrito sobre o jacatirão, o ipê e outras árvores que florescem espetacularmente e pelas quais sou fascinado. Grande coincidência, pois ela mencionou também uma outra mensagem que eu havia enviado a ela em abril, logo após a Páscoa, quando viajei para o Rio Grande do Sul e fiquei mais uma vez maravilhado com o jacatirão em flor (ou quaresmeira) na região de Alfredo Wagner e lá no norte gaúcho.

Os pessegueiros em flor são fantásticos, assim como a cerejeira japonesa, e algumas outras árvores, mas peço licença à Irene para escrever sobre eles em outra oportunidade. Hoje vou falar de uma árvore vizinha minha, bela como ela só.

Todo final de outono ela floresce: deixa cair todas as folhas e cobre-se de flores lilases, quase vermelhas, variando entre tons mais suaves e mais intensos. Não sei o seu nome. Na primeira vez que a vi florescer, pensei que fosse um ipê roxo, mas depois percebi que não era.

Vejo-a da janela do meu quarto e admiro-lhe a beleza, da altura do meu terceiro andar. É uma grande árvore e é tão bela quanto grande. Ela fica a duas quadras do meu prédio, mas posso vê-la bem, tamanha a grandiosidade e imponência, pelo tamanho e pelas cores. No ano passado, construíram um sobrado na esquina do lado de cá da minha amiga árvore, mas ainda assim lhe posso ver a copada florida, a iluminar nosso caminho e nosso horizonte com a cumplicidade do sol. E com a cumplicidade do jacatirão, vizinho dela no outro lado da rua, que florescendo antes dela e resistindo mais tempo a exibir suas flores, parece lhe dar as boas vindas e lhe render homenagem. Jacatirões que também se cobrem de flores nesta época – uma variedade híbrida, cultivada em jardins -, apesar de serem jovens e, portanto, árvores ainda bem menores que a grande árvore de nome desconhecido, que chamo simplesmente de minha amiga árvore, com a qual tenho encontros marcados nos fins de outono e começo dos invernos. Quando então a namoro da minha janela e ela acena seus galhos frondosos e coloridos lá da outra quadra, por cima das casas que nos separam.

Nos primeiros dias do inverno, as suas flores caem, mas não vejo com tristeza o tapete que ela, grande e generosa árvore, estende aos nossos pés. Vejo mais como uma reverência aos caminhantes da nossa rua, que não cansam de admirar-lhe a beleza e luz e cor.
 

(09 de julho/2004)
CooJornal no 376


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC