| Luiz Carlos Amorim
MINHA AMIGA ÁRVORE
|
 |
Tinha eu começado a escrever esta crônica, quando recebi uma mensagem de uma
grande amiga me sugerindo falar sobre os pessegueiros em flor, a propósito de
coisas que eu já havia escrito sobre o jacatirão, o ipê e outras árvores que
florescem espetacularmente e pelas quais sou fascinado. Grande coincidência,
pois ela mencionou também uma outra mensagem que eu havia enviado a ela em
abril, logo após a Páscoa, quando viajei para o Rio Grande do Sul e fiquei mais
uma vez maravilhado com o jacatirão em flor (ou quaresmeira) na região de
Alfredo Wagner e lá no norte gaúcho.
Os pessegueiros em flor são fantásticos, assim como a cerejeira japonesa, e
algumas outras árvores, mas peço licença à Irene para escrever sobre eles em
outra oportunidade. Hoje vou falar de uma árvore vizinha minha, bela como ela
só.
Todo final de outono ela floresce: deixa cair todas as folhas e cobre-se de
flores lilases, quase vermelhas, variando entre tons mais suaves e mais
intensos. Não sei o seu nome. Na primeira vez que a vi florescer, pensei que
fosse um ipê roxo, mas depois percebi que não era.
Vejo-a da janela do meu quarto e admiro-lhe a beleza, da altura do meu terceiro
andar. É uma grande árvore e é tão bela quanto grande. Ela fica a duas quadras
do meu prédio, mas posso vê-la bem, tamanha a grandiosidade e imponência, pelo
tamanho e pelas cores. No ano passado, construíram um sobrado na esquina do lado
de cá da minha amiga árvore, mas ainda assim lhe posso ver a copada florida, a
iluminar nosso caminho e nosso horizonte com a cumplicidade do sol. E com a
cumplicidade do jacatirão, vizinho dela no outro lado da rua, que florescendo
antes dela e resistindo mais tempo a exibir suas flores, parece lhe dar as boas
vindas e lhe render homenagem. Jacatirões que também se cobrem de flores nesta
época – uma variedade híbrida, cultivada em jardins -, apesar de serem jovens e,
portanto, árvores ainda bem menores que a grande árvore de nome desconhecido,
que chamo simplesmente de minha amiga árvore, com a qual tenho encontros
marcados nos fins de outono e começo dos invernos. Quando então a namoro da
minha janela e ela acena seus galhos frondosos e coloridos lá da outra quadra,
por cima das casas que nos separam.
Nos primeiros dias do inverno, as suas flores caem, mas não vejo com tristeza o
tapete que ela, grande e generosa árvore, estende aos nossos pés. Vejo mais como
uma reverência aos caminhantes da nossa rua, que não cansam de admirar-lhe a
beleza e luz e cor.
(09 de julho/2004)
CooJornal no 376
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-037.htm
Florianópolis, SC