| Luiz Carlos Amorim
CONCURSO DE POESIA
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A biblioteca pública de uma cidade de porte médio promoveu, recentemente, um
concurso de poesias entre estudantes de primeira a oitava séries. Iniciativa
meritória, incentivar a criação literária e a leitura entre leitores em
formação. E até porque o certame é dirigido aos pequenos leitores e possíveis
futuros produtores de texto, não seria preferível chamar de concurso de poesia
(no singular) ou de poemas? Porque poesia é o conteúdo e poema é a forma. Um
poema pode não conter poesia (e isso é tão comum de se encontrar) e a poesia
está contida em tudo, na prosa, num gesto, na natureza, etc, etc. Talvez fosse
bom enfatizar essa diferença para crianças e adolescentes, para que soubessem a
diferença e pudessem entender melhor o que estão fazendo.
Sei que não está errado, está lá no Aurélio, entre outros significados: poesia -
"composição poética de pequena extensão". Mas parece soar mal "concurso de
poesias", assim, no plural. De qualquer maneira, já foi.
Mas o que me fez abordar o tema foi outra coisa. Entre os poemas vencedores
podemos encontrar pelo menos dois que são "inspirados" ou "baseados" em músicas
conhecidas, uma de Vinícius de Moraes e outra cantada (?) pela Xuxa. Não sei se
o grupo de poetas que selecionou os vencedores foi questionado - e acho que
deveriam ser - mas a professora que coordenou o concurso justificou como sendo
"paródias" as referidas "poesias". Acho muito triste um professor incentivar o
plágio, justamente um professor, que deve incentivar os alunos e ensinar a
maneira mais correta possível de criar o próprio texto.
Voltamos, então, a um assunto já discutido numa de nossas crônicas, mas muito
delicado e que merece ser relembrado. Não podemos usar a obra de outrem
impunemente, sem colocar o trecho que "emprestamos" entre aspas e citando o
autor e a fonte. Não podemos pegar um texto ou um poema de quem quer que seja,
trocar algumas palavras e assinar como sendo nosso. Isso é apropriação indébia,
é plágio. E plágio é crime.
Já fui jurado de concurso de poesia e encontrei trechos de "Marília de Dirceu",
assinado por outro "autor" que não Tomás Antonio Gonzaga, poema de Neimar de
Barros e até coisa minha. Mas o grupo que estava selecionando os melhores
poemas descartou de imediato aqueles nos quais se reconhecia alguma coisa já
existente.
Espero que tenha sido um caso isolado e que não se cometa por aí este tipo de
erro.
(04 de junho/2004)
CooJornal no 371
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
Florianópolis, SC